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	<title>Blog do Mandato Ivan Valente - PSOL/SP</title>
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	<description>- Em construção -</description>
	<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 12:43:34 +0000</pubDate>
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		<title>Greve geral paralisa Fran&#231;a em defesa de emprego e renda</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 12:43:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category>Sem Categoria</category>

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		<description><![CDATA[
Trabalhadores dos setores p&#250;blico e privado fazem segunda greve geral em menos de dois meses, em defesa do emprego e do poder de compra da popula&#231;&#227;o. Pesquisas indicam apoio massivo da popula&#231;&#227;o ao movimento grevista. A novidade &#233; a forte ades&#227;o do setor privado, tradicionalmente avesso &#224;s greves nacionais convocadas pelos sindicatos. A crise e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://200.169.228.51/arquivosCartaMaior/FOTO/49/foto_mat_23402.jpg" /></p>
<p>Trabalhadores dos setores p&#250;blico e privado fazem segunda greve geral em menos de dois meses, em defesa do emprego e do poder de compra da popula&#231;&#227;o. Pesquisas indicam apoio massivo da popula&#231;&#227;o ao movimento grevista. A novidade &#233; a forte ades&#227;o do setor privado, tradicionalmente avesso &#224;s greves nacionais convocadas pelos sindicatos. A crise e o desemprego afetaram mais 90 mil franceses s&#243; em janeiro - o dobro do m&#234;s anterior.</p>
<p>Esquerda.Net</p>
<p>A segunda greve geral em menos de dois meses paralisa a Fran&#231;a nesta quinta-feira (19). Os sindicatos reivindicam mais apoio ao emprego e ao poder de compra da popula&#231;&#227;o e as pesquisas indicam o apoio massivo do pa&#237;s aos grevistas. As mais de 200 manifesta&#231;&#245;es previstas juntaram milh&#245;es de trabalhadores nas ruas, mas o governo avisou que n&#227;o aumentar&#225; o pacote de ajudas &#224;s v&#237;timas da crise e do desemprego.    <br />No in&#237;cio do dia, as complica&#231;&#245;es j&#225; afetavam o sistema de transportes, obrigando o aeroporto de Orly a anular um ter&#231;o dos v&#244;os e os ferrovi&#225;rios a anunciarem uma ades&#227;o semelhante &#224; da &#250;ltima greve. Os atrasos e complica&#231;&#245;es nos transportes estenderam-se &#224;s principais cidades.     <br />Os trabalhadores da Caterpillar de Grenoble ocuparam a f&#225;brica em protesto contra o an&#250;ncio da demiss&#227;o de 733 trabalhadores e os mil trabalhadores da f&#225;brica Continental em Clairoix, amea&#231;ada de fechamento e que se tornou num dos s&#237;mbolos da crise, desfilaram em protesto logo pela manh&#227;.     <br />A grande mudan&#231;a em rela&#231;&#227;o a anteriores protestos &#233; o clima de apoio ao movimento que atravessa a sociedade. Numa sondagem publicada pelo jornal Liberation, 62% dos entrevistados (e 42% dos eleitores de Sarkozy) dizem-se &quot;solid&#225;rios&quot; com a greve. Quando a pergunta &#233; se os motivos justificam a greve, o apoio sobe para 78% (53% dos apoiadores do partido do governo).     <br />A crise e o desemprego que afetou mais 90 mil franceses s&#243; em janeiro - o dobro do m&#234;s anterior - fizeram soar as campainhas de alarme na sociedade francesa. Depois da greve geral de 29 de janeiro, que juntou mais de um milh&#227;o nas manifesta&#231;&#245;es de protesto, o governo Sarkozy apresentou um pacote de ajuda de 2,6 bilh&#245;es de euros, entre benef&#237;cios fiscais e medidas de apoio ao emprego. Mas na v&#233;spera do novo protesto, o governo de direita fez quest&#227;o de dizer que n&#227;o ir&#225; ampliar a ajuda &#224;s v&#237;timas da crise. Mas o pacote &#233; insuficiente para estabilizar a economia e o emprego, pelo que os sindicatos insistem em que n&#227;o devem ser os trabalhadores a pagar a crise. Nas &#250;ltimas semanas, a not&#237;cia da demiss&#227;o de 555 trabalhadores da petrol&#237;fera Total, pouco depois da empresa ter apresentado lucros de 13,9 bilh&#245;es de euros, incendiou ainda mais os &#226;nimos dos franceses e fez aumentar o apoio aos grevistas.     <br />O protesto social n&#227;o &#233; exclusivo dos trabalhadores e mesmo entre estes, a novidade &#233; a forte ades&#227;o do setor privado, tradicionalmente avesso &#224;s greves nacionais convocadas pelos sindicatos. Desta vez, os trabalhadores do setor automobil&#237;stico e de outras grandes empresas privadas v&#227;o engrossar ainda mais as manifesta&#231;&#245;es. Tamb&#233;m as faculdades francesas est&#227;o protestando h&#225; meses contra a reforma do ensino superior, com metade das universidades do pa&#237;s em greve nos &#250;ltimos dias.     <br />Os l&#237;deres da oposi&#231;&#227;o de esquerda participam da manifesta&#231;&#227;o de Paris, com o PS representado pelo presidente da C&#226;mara, Bertrand Delanoe. Tamb&#233;m Olivier Besancenot, do Novo Partido Anticapitalista, desfila junto dos carteiros de Hauts-de-Seine antes de se juntar ao cortejo do partido. A secret&#225;ria-geral do PCF, Marie-George Buffet, e o l&#237;der do Partido de Esquerda, Jean-Luc M&#233;lenchon, estar&#227;o juntos na manifesta&#231;&#227;o, tal como nas pr&#243;ximas elei&#231;&#245;es europ&#233;ias. A lista Europe-Ecologie, que junta Daniel Cohn-Bendit a Jos&#233; Bov&#233;, tamb&#233;m integra o protesto desta quinta-feira. </p>
<p>Fotos: Esquerda.Net</p>
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		<title>Usinas multadas por trabalho degradante t&#234;m R$ 1 bi do BNDES</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2009 16:38:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category>Sem Categoria</category>

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		<description><![CDATA[Autua&#231;&#245;es foram aplicadas em raz&#227;o de alojamentos prec&#225;rios, jornadas extenuantes e falta de equipamentos de prote&#231;&#227;o    Usinas de a&#231;&#250;car e &#225;lcool, que est&#227;o instaladas no interior de Goi&#225;s, dizem que buscaram se readequar &#224;s normas trabalhistas     
EDUARDO SCOLESE    DA SUCURSAL DE BRAS&#205;LIA    [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><b>Autua&#231;&#245;es foram aplicadas em raz&#227;o de alojamentos prec&#225;rios, jornadas extenuantes e falta de equipamentos de prote&#231;&#227;o</b>    <br /><b>Usinas de a&#231;&#250;car e &#225;lcool, que est&#227;o instaladas no interior de Goi&#225;s, dizem que buscaram se readequar &#224;s normas trabalhistas </b>    <br /><b></b></p>
<p><b>EDUARDO SCOLESE</b>    <br />DA SUCURSAL DE BRAS&#205;LIA     <br />Relat&#243;rios do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&#244;mico e Social) cruzados com dados do Minist&#233;rio do Trabalho e do Minist&#233;rio P&#250;blico do Trabalho revelam que, no ano passado, o banco desembolsou R$ 1,1 bilh&#227;o para tr&#234;s usinas de a&#231;&#250;car e &#225;lcool multadas pela situa&#231;&#227;o degradante de trabalhadores -duas das multas foram aplicadas antes da libera&#231;&#227;o dos recursos.    <br />Segundo os documentos, as multas foram aplicadas em 2008, totalizam R$ 540 mil e t&#234;m como justificativa a contrata&#231;&#227;o de trabalhadores por meio de &quot;gatos&quot; (como s&#227;o chamados os aliciadores desse tipo de m&#227;o-de-obra), alojamentos prec&#225;rios, jornadas extenuantes, transporte irregular e falta de equipamentos de prote&#231;&#227;o.    <br />O BNDES, cuja propaganda institucional fala em &quot;cl&#225;usulas socioambientais&quot; nos contratos desde dezembro de 2007, declara n&#227;o ter compet&#234;ncia legal para julgar empresas sob investiga&#231;&#227;o, mas, diante de uma eventual condena&#231;&#227;o, poder&#225; suspender ou revisar os contratos (leia texto ao lado).    <br />As tr&#234;s usinas est&#227;o instaladas no interior de Goi&#225;s. Nenhuma delas, por&#233;m, aparece na &quot;lista suja&quot; do Minist&#233;rio do Trabalho, em que est&#227;o as empresas que tenham sido flagradas com trabalhadores em condi&#231;&#227;o an&#225;loga &#224; de escravos.    <br />Apesar da situa&#231;&#227;o degradante relatada, n&#227;o foi detectada a &quot;servid&#227;o por d&#237;vida&quot;, quando os funcion&#225;rios s&#227;o for&#231;ados a ficar nas propriedades at&#233; saldarem d&#233;bitos contra&#237;dos com os empregadores na &quot;compra&quot; de alimentos, roupas e equipamentos de trabalho.    <br /><b>Contratos e flagrantes</b>    <br />A Usina S&#227;o Jo&#227;o A&#231;&#250;car e &#193;lcool, por exemplo, recebeu R$ 456,6 milh&#245;es do BNDES para ampliar duas usinas no interior de Goi&#225;s. Uma delas, a Agropecu&#225;ria Campo Alto, em Quirin&#243;polis (294 km de Goi&#226;nia), teve no ano passado 24 autos de infra&#231;&#227;o, com 421 encontrados em situa&#231;&#227;o degradante, com m&#225;s condi&#231;&#245;es de alojamento e falta de equipamentos de prote&#231;&#227;o individual, segundo o Minist&#233;rio do Trabalho. A fiscaliza&#231;&#227;o ocorreu em maio (multa de R$ 176,6 mil), e o contrato foi assinado em junho.    <br />A Rio Claro Agroindustrial recebeu R$ 419,5 milh&#245;es para implantar tr&#234;s unidades de processamento de cana. Numa delas, em Ca&#231;u (340 km de Goi&#226;nia), foram encontradas m&#225;s condi&#231;&#245;es de alojamento e falta de equipamentos de prote&#231;&#227;o. O Minist&#233;rio P&#250;blico do Trabalho fala em &quot;situa&#231;&#227;o de degrad&#226;ncia&quot; na localiza&#231;&#227;o dos trabalhadores. A fiscaliza&#231;&#227;o ocorreu em fevereiro (com multa de R$ 234,6 mil), e o contrato com o BNDES foi fechado em dezembro.    <br />A Usina Porto das &#193;guas recebeu R$ 278,9 milh&#245;es para uma unidade em Chapad&#227;o do C&#233;u (595 km de Goi&#226;nia). Nessa unidade, al&#233;m de den&#250;ncias de trabalhadores aliciados por &quot;gatos&quot; e submetidos a trabalho degradante, foram encontradas m&#225;s condi&#231;&#245;es de alojamento e falta de equipamento. O contrato foi assinado em maio, e a fiscaliza&#231;&#227;o ocorreu em junho, com multa de R$ 128,6 mil.    <br />As empresas dizem que buscaram se readequar &#224;s normas trabalhistas.</p>
<p>Folha de S. Paulo - 17 de mar&#231;o de 2009</p>
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		<title>Aprendendo com o Brasil</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 20:37:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O MST seria um bom exemplo a ser seguido pela esquerda americana, se os EUA tivessem qualquer coisa compar&#225;vel a ele em termos de movimento social forte
    IMMANUEL WALLERSTEIN     Parece-me que h&#225; duas situa&#231;&#245;es que requerem dois planos para a esquerda mundial, em especial para a esquerda dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><b>O MST seria um bom exemplo a ser seguido pela esquerda americana, se os EUA tivessem qualquer coisa compar&#225;vel a ele em termos de movimento social forte</b></p>
<p><strong></strong>    <br /><b>IMMANUEL WALLERSTEIN</b>     <br />Parece-me que h&#225; duas situa&#231;&#245;es que requerem dois planos para a esquerda mundial, em especial para a esquerda dos Estados Unidos. A primeira situa&#231;&#227;o &#233; o curto prazo. O mundo se encontra numa depress&#227;o profunda, que, pelo menos nos pr&#243;ximos um ou dois anos, s&#243; vai se agravar. O curto prazo imediato &#233; o que preocupa a maioria das pessoas que agora se confrontam com o desemprego, a redu&#231;&#227;o grave de sua renda e, em muitos casos, a perda da moradia. Se os movimentos de esquerda n&#227;o tiverem um plano para fazer frente a esse curto prazo, eles n&#227;o poder&#227;o se conectar com a maioria das pessoas de qualquer maneira que tenha significado.     <br />A segunda situa&#231;&#227;o &#233; a crise estrutural do capitalismo como sistema mundial, que, em minha opini&#227;o, enfrenta sua extin&#231;&#227;o certa nos pr&#243;ximos 20 a 40 anos. Esse &#233; o m&#233;dio prazo. E, se a esquerda n&#227;o tiver um plano para esse m&#233;dio prazo, aquilo que vier a substituir o capitalismo como sistema mundial ser&#225; algo pior, provavelmente muito pior, que o sistema terr&#237;vel com o qual convivemos h&#225; cinco s&#233;culos.     <br />As duas ocasi&#245;es requerem t&#225;ticas diferentes, mas combinadas. Qual &#233; nossa situa&#231;&#227;o no curto prazo? Os Estados Unidos elegeram um presidente centrista cujas inclina&#231;&#245;es s&#227;o um tanto quanto &#224; esquerda do centro. A esquerda, ou a maior parte dela, votou nele por duas raz&#245;es. A alternativa seria pior -de fato, muito pior. Logo, votamos pelo mal menor. A segunda raz&#227;o foi que pensamos que a elei&#231;&#227;o de Obama abriria espa&#231;o para movimentos sociais de esquerda.     <br />O problema com que a esquerda se defronta n&#227;o &#233; novo. Situa&#231;&#245;es como essas s&#227;o comuns. Roosevelt em 1933, Attlee em 1945, Mitterrand em 1981, Mandela em 1994, Lula em 2002, todos foram os Obamas de seu lugar e seu tempo. E a lista poderia ser prolongada ao infinito. O que faz a esquerda quando essas figuras &quot;decepcionam&quot;, como todas n&#227;o podem deixar de fazer, j&#225; que s&#227;o todas centristas, mesmo que &#224; esquerda do centro?     <br />Em minha opini&#227;o, a &#250;nica atitude sensata &#233; aquela adotada pelo grande, forte e militante MST (Movimento dos Sem-Terra) no Brasil. O MST apoiou Lula em 2002, e, apesar de todas as promessas que ele deixou de cumprir, apoiou sua reelei&#231;&#227;o em 2006. O fez com plena consci&#234;ncia das limita&#231;&#245;es do governo de Lula, porque a alternativa seria evidentemente pior. Mas o que o MST tamb&#233;m fez foi manter press&#227;o constante sobre o governo de Lula -reunindo-se com ele, denunciando-o publicamente quando o governo o merecia e organizando-se em campo para combater suas falhas.     <br />O MST seria um bom exemplo a ser seguido pela esquerda americana, se tiv&#233;ssemos qualquer coisa compar&#225;vel a ele em termos de movimento social forte. N&#227;o temos, mas isso n&#227;o deveria nos impedir de tentarmos formar um da melhor maneira poss&#237;vel e fazer como faz o MST o tempo todo -pressionar Obama abertamente, publicamente e com for&#231;a-, al&#233;m de, &#233; claro, aplaudi-lo quando ele faz a coisa certa. O que queremos de Obama n&#227;o &#233; transforma&#231;&#227;o social. Ele n&#227;o deseja nem &#233; capaz de nos oferecer isso. Queremos dele medidas que minimizem a dor e o sofrimento da maioria das pessoas neste momento. Isso ele pode fazer, e &#233; com rela&#231;&#227;o a isso que a aplica&#231;&#227;o de press&#245;es sobre ele pode fazer uma diferen&#231;a.     <br />O m&#233;dio prazo &#233; outra coisa inteiramente. E nesse tocante Obama &#233; irrelevante, como o s&#227;o os outros governos &#224; esquerda do centro. O que est&#225; acontecendo &#233; uma desintegra&#231;&#227;o do capitalismo como sistema mundial, n&#227;o porque ele n&#227;o pode garantir o bem-estar da grande maioria da popula&#231;&#227;o (isso &#233; algo que o sistema nunca p&#244;de fazer), mas porque n&#227;o consegue mais garantir que os capitalistas ter&#227;o o ac&#250;mulo intermin&#225;vel de capital que &#233; sua raz&#227;o de ser. Chegamos a um momento em que nem os capitalistas prescientes, nem seus advers&#225;rios (n&#243;s), estamos tentando preservar o sistema. Estamos ambos tentando estabelecer um sistema novo, mas &#233; claro que temos ideias muito diferentes -na verdade, radicalmente opostas- quanto &#224; natureza de tal sistema.     <br />Pelo fato de o sistema ter se afastado muito do equil&#237;brio, ele se tornou ca&#243;tico. Estamos vendo flutua&#231;&#245;es malucas em todos os indicadores econ&#244;micos usuais -os pre&#231;os das commodities, os valores relativos das moedas, os n&#237;veis reais de tributa&#231;&#227;o, a quantidade de itens produzidos e comerciados. Como ningu&#233;m sabe realmente quais ser&#227;o as flutua&#231;&#245;es desses indicadores, que mudam praticamente diariamente, ningu&#233;m pode fazer um planejamento sensato de nada.     <br />Em tal situa&#231;&#227;o, ningu&#233;m, seja qual for sua posi&#231;&#227;o pol&#237;tica, sabe ao certo quais medidas ser&#227;o melhores. Essa confus&#227;o intelectual pr&#225;tica se presta &#224; demagogia fren&#233;tica de todos os tipos. O sistema est&#225; se bifurcando, o que significa que dentro de 20 a 40 anos haver&#225; algum sistema novo, que criar&#225; ordem a partir do caos. Mas n&#227;o sabemos qual ser&#225; esse sistema.     <br />O que podemos fazer? Para come&#231;ar, precisamos ter clareza sobre de que trata essa batalha. &#201; a batalha entre o esp&#237;rito de Davos (em favor de um sistema novo que n&#227;o seja o capitalismo, mas que mesmo assim seja hier&#225;rquico, explorador e polarizador) e o esp&#237;rito de Porto Alegre (um sistema novo que seja relativamente democr&#225;tico e relativamente igualit&#225;rio). N&#227;o existe mal menor aqui. &#201; uma coisa ou a outra.     <br />O que a esquerda deve fazer? Promover a clareza intelectual em rela&#231;&#227;o &#224; escolha fundamental. Ent&#227;o organizar-se em mil n&#237;veis e de mil maneiras para empurrar as coisas na dire&#231;&#227;o certa. A primeira coisa a fazer &#233; incentivar a descomoditiza&#231;&#227;o, no maior grau que conseguirmos. A segunda &#233; fazer experimentos com toda esp&#233;cie de novas estruturas que fa&#231;am mais sentido, em termos de justi&#231;a global e sanidade ecol&#243;gica. E a terceira coisa que precisamos fazer &#233; incentivar o otimismo realista. A vit&#243;ria est&#225; muito longe de ser certa. Mas &#233; poss&#237;vel.     <br />Resumindo, ent&#227;o: trabalhar no curto prazo para minimizar o sofrimento, e no m&#233;dio prazo para assegurar que o novo sistema que vai emergir seja um sistema melhor, e n&#227;o pior. Mas fazer este &#250;ltimo sem triunfalismo e com a consci&#234;ncia de que a luta ser&#225; tremendamente dif&#237;cil.</p>
</p>
<hr noshade="noshade" size="1" />
<p><b>IMMANUEL WALLERSTEIN</b>, 78, pesquisador s&#234;nior na Universidade Yale, &#233; autor de &quot;O Moderno Sistema Mundial&quot;, sobre a globaliza&#231;&#227;o do capitalismo, e &quot;O Decl&#237;nio do Poder Americano&quot;.     <br />Tradu&#231;&#227;o de <b>CLARA ALLAIN</b></p>
<p><strong>Folha de S. Paulo - 15 de mar&#231;o de 2009</strong></p>
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		<title>Nova ofensiva contra o MST</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 20:32:24 +0000</pubDate>
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PL&#205;NIO ARRUDA SAMPAIO
Neste momento, o MST se debate contra um tipo de ataque intermitente: uma ofensiva patrocinada por inimigos vis&#237;veis e invis&#237;veis   
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) &#233; sujeito a dois tipos de ataque: os permanentes e os intermitentes.    O primeiro tipo &#233; desferido cotidianamente pela UDR [...]]]></description>
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<p><b>PL&#205;NIO ARRUDA SAMPAIO</b></p>
<hr noshade="noshade" size="2" /><b><i>Neste momento, o MST se debate contra um tipo de ataque intermitente: uma ofensiva patrocinada por inimigos vis&#237;veis e invis&#237;veis</i></b>   <hr noshade="noshade" size="2" />
<p>O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) &#233; sujeito a dois tipos de ataque: os permanentes e os intermitentes.    <br />O primeiro tipo &#233; desferido cotidianamente pela UDR (Uni&#227;o Democr&#225;tica Ruralista) e pela &quot;bancada ruralista&quot;. J&#225; a segunda forma de ataque acontece de vez em quando. Neste momento, o movimento se debate contra esse segundo tipo: uma grande ofensiva patrocinada por inimigos vis&#237;veis e invis&#237;veis. Um dos inimigos vis&#237;veis &#233; o atual presidente do Supremo Tribunal Federal. Extrapolando claramente suas fun&#231;&#245;es, esse magistrado est&#225; exigindo provid&#234;ncias judiciais para averiguar supostas irregularidades no repasse de verbas federais a entidades ligadas ao MST. No af&#227; de agredir os sem- terra, sobrou para o Minist&#233;rio P&#250;blico, acusado de toler&#226;ncia com o crime -o que provocou irada rea&#231;&#227;o do procurador-geral, o honrado dr. Antonio Fernando de Souza.     <br />Toda ofensiva -como explicam os tratados militares- deve ter um objetivo central bem claro. A ofensiva atualmente em curso contra o MST visa &quot;limpar&quot; a &#225;rea fundi&#225;ria de uma organiza&#231;&#227;o aut&#234;ntica, que pode ser o s&#233;rio obst&#225;culo &#224; implanta&#231;&#227;o do novo modelo agr&#237;cola adotado pelo governo -o modelo do grande agroneg&#243;cio. A ordem, portanto, &#233; enterrar de uma vez a reforma agr&#225;ria.     <br />As desapropria&#231;&#245;es de im&#243;veis est&#227;o paralisadas e os assentamentos n&#227;o recebem o apoio necess&#225;rio para que possam sair adiante.     <br />Explico: diante da resist&#234;ncia dos propriet&#225;rios rurais, do poderio da bancada ruralista e da esperada demanda externa por produtos agr&#237;colas, o governo resolveu desistir da reforma agr&#225;ria e abra&#231;ar a fantasia mirabolante de montar, na Amaz&#244;nia, uma enorme agricultura de exporta&#231;&#227;o de carne, soja e &#225;lcool de cana-de-a&#231;&#250;car. A crise mundial demonstrar&#225; a inconsequ&#234;ncia dessa pol&#237;tica.     <br />O MST &#233; um estorvo para o projeto de transformar a Amaz&#244;nia em polo exportador de grandes dimens&#245;es, pois a instala&#231;&#227;o de imensas fazendas nas terras p&#250;blicas da regi&#227;o depende de investidores que n&#227;o costumam colocar seus milh&#245;es em terras litigiosas. Exigem, primeiro, que sejam legalizadas. A&#237; ent&#227;o eles as compram dos grileiros. Trata-se de um processo semelhante ao da lavagem de dinheiro. No caso, trocam-se t&#237;tulos contest&#225;veis por t&#237;tulos garantidos pelo governo. Pois, apesar da norma constitucional que determina a destina&#231;&#227;o de terras p&#250;blicas &#224; reforma agr&#225;ria ou a projetos de coloniza&#231;&#227;o, o governo est&#225; decidido a entregar essas terras a grandes produtores.     <br />Se o MST desaparecer ou ficar desmoralizado, sua influ&#234;ncia sobre a opini&#227;o p&#250;blica se reduzir&#225; substancialmente e a press&#227;o pela reforma agr&#225;ria cair&#225; a zero, deixando o governo com as m&#227;os livres para regalar 67 milh&#245;es de hectares de terras p&#250;blicas a grileiros que as vender&#227;o ao &quot;honrado&quot; agroneg&#243;cio. Para ter uma ideia do tamanho desse &quot;Panam&#225;&quot;, basta lembrar que essa superf&#237;cie &#233; maior do que toda a terra ar&#225;vel da Alemanha somada &#224; da It&#225;lia.     <br />N&#227;o por acaso, al&#233;m de investir contra as ocupa&#231;&#245;es, a atual ofensiva lan&#231;a suspeitas sobre a legalidade dos repasses de dinheiro a entidades que prestam servi&#231;os aos assentados.     <br />Acusa&#231;&#245;es de corrup&#231;&#227;o constituem, como se sabe, elementos devastadores da reputa&#231;&#227;o de pessoas e de entidades. No entanto, o que corre solto, em Bras&#237;lia, s&#227;o os mais venenosos boatos a respeito das maracutaias que est&#227;o por tr&#225;s n&#227;o do repasse de verbas ao MST, mas da regulariza&#231;&#227;o do grilo amaz&#244;nico.     <br />N&#227;o &#233; para menos: ao arrepio da Constitui&#231;&#227;o, as medidas provis&#243;rias permitir&#227;o aos grileiros regularizar posses ilegais de at&#233; 1.500 hectares e ter prefer&#234;ncia para adquirir outros 1.500 hectares que ser&#227;o licitados.     <br />O a&#231;odamento do governo para aprovar essas normas por meio de medidas provis&#243;rias, sem um debate maior com a sociedade, e a disputa entre o Minist&#233;rio do Planejamento Estrat&#233;gico, o do Meio Ambiente e o do Desenvolvimento Agr&#225;rio n&#227;o ajudam a desfazer a situa&#231;&#227;o nem a deixar de ver, na mudan&#231;a do modelo agr&#237;cola, a causa real da nova tentativa de arrebentar o movimento dos sem-terra.     <br />A cidadania precisa repudiar esse ataque, pois uma coisa &#233; certa: a esperan&#231;a que o MST sustenta entre a popula&#231;&#227;o rural &#233; a &#250;nica coisa que est&#225; impedindo a reprodu&#231;&#227;o no Brasil da trag&#233;dia que ensanguenta a Col&#244;mbia h&#225; mais de 50 anos. </p>
<hr noshade="noshade" size="1" /><b>PL&#205;NIO ARRUDA SAMPAIO</b>, 78, advogado, &#233; presidente da Abra (Associa&#231;&#227;o Brasileira de Reforma Agr&#225;ria) e diretor do &quot;Correio da Cidadania&quot;. Foi deputado federal pelo PT-SP (1985-1991) e consultor da FAO (Organiza&#231;&#227;o das Na&#231;&#245;es Unidas para a Agricultura e a Alimenta&#231;&#227;o).
</p>
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		<title>Curso - A Hist&#243;ria da Palestina e os desafios da atualidade</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 19:28:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[&#160;
SEGUNDA-FEIRA, 23 A QUARTA-FEIRA, 25 DE MAR&#199;O, E 02 DE ABRIL
19h30 - S&#227;o Paulo (PUC-SP)
Boitempo Editorial, Instituto de Cultura &#193;rabe e Programa de Estudos P&#243;s-Graduados em Hist&#243;ria / N&#250;cleo de Estudos de Hist&#243;ria: Trabalho, Ideologia e Poder / PUC-SP, promovem o Curso &#34;A Hist&#243;ria da Palestina e od desafios da atualidade&#34;.
PROGRAMA DAS AULAS:
DIA 23/03 - [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#160;</p>
<p><b>SEGUNDA-FEIRA, 23 A QUARTA-FEIRA, 25 DE MAR&#199;O, E 02 DE ABRIL</b></p>
<p><b>19h30 - S&#227;o Paulo (PUC-SP)</b></p>
<p>Boitempo Editorial, Instituto de Cultura &#193;rabe e Programa de Estudos P&#243;s-Graduados em Hist&#243;ria / N&#250;cleo de Estudos de Hist&#243;ria: Trabalho, Ideologia e Poder / PUC-SP, promovem o Curso &quot;A Hist&#243;ria da Palestina e od desafios da atualidade&quot;.</p>
<p><b>PROGRAMA DAS AULAS:</b></p>
<p><b>DIA 23/03 -</b> A Palestina antes da cria&#231;&#227;o do Estado de Israel: Cultura, pol&#237;tica e os pilares do projeto sionista na terra. Arlene Clemesha (Professora de Hist&#243;ria e Cultura &#193;rabe da FFLCH-USP).</p>
<p><b>DIA 24/03 -</b> A Palestina na segunda metade do S&#233;culo XX e as vicissitudes da geopol&#237;tica mundial (Mohammed Habib - Professor Titular do Instituto de Biologia e Pr&#243;-Reitor de Extens&#227;o da UNICAMP).</p>
<p><b>DIA 25/03 -</b> A resist&#234;ncia Palestina: o nacionalismo laico e o islamismo nacional (Jos&#233; Arbex Jr. - Jornalista e Professor da PUC-SP).</p>
<p><b>DIA 02/04 -</b> Debate sobre os caminhos e o futuro da quest&#227;o &#225;rabe-israelense na conjuntura atual. (Com Emir Sader, CLACSO/USP/UERJ; Abdel Latif, M&#233;dico Palestino Refugiado; Arnaldo Carrilho, ex-representante da diplomacia brasileira junto &#224; Autoridade Palestina; e Salem H. Nasser, Adgovado e Professor da FGV. Coordena&#231;&#227;o de Michel Sleiman, USP/ICArabe).</p>
<p><b>INSCRI&#199;&#213;ES GRATUITAS AT&#201; 20/03, OU O LIMITE DE VAGAS: Telefone (11) 5084-5131 (9 &#224;s 18h, com Renata, ou pelo e-mail: <a href="mailto:cursos@icarabe.org">cursos@icarabe.org</a></b></p>
<p><b>MAIS INFORMA&#199;&#213;ES: <a href="http://www.icarabe.org.br/">www.icarabe.org.br</a> ou <a href="http://www.boitempoeditorial.com.br/">www.boitempoeditorial.com.br</a></b></p>
<p><b>LOCAL DO EVENTO: PUC (Pontif&#237;cia Universidade Cat&#243;lica) de S&#227;o Paulo, Rua Monte Alegre, 984 - Perdizes/SP, Audit&#243;rio 333 (Pr&#233;dio Novo).</b></p>
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		<title>Fotos da Plen&#225;ria Estadual de N&#250;cleos do PSOL/SP</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 18:48:41 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[     Ivan Valente fala na abertura da Plen&#225;ria
     Sauda&#231;&#227;o do Deputado Estadual Raul Marcelo na abertura do encontro
     Ivan falou sobre a crise econ&#244;mica e os desafios do PSOL
     Delegados e Delegadas eleitos pelos n&#250;cleos de base do PSOL
 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img height="307" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/ivan_plen&aacute;ria_site.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>Ivan Valente fala na abertura da Plen&#225;ria</strong></p>
<p><strong><img height="296" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plen&aacute;ria1.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>Sauda&#231;&#227;o do Deputado Estadual Raul Marcelo na abertura do encontro</strong></p>
<p><strong><img height="232" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plenaria2.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>Ivan falou sobre a crise econ&#244;mica e os desafios do PSOL</strong></p>
<p><strong><img height="266" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plenaria3.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>Delegados e Delegadas eleitos pelos n&#250;cleos de base do PSOL</strong></p>
<p><strong><img height="306" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plenaria4.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>Maur&#237;cio, da Executiva Estadual do PSOL</strong></p>
<p><strong><img height="315" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plen&aacute;ria5.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>M&#225;rcio Souza e Miguel Carvalho, o Sec. Geral e o Presidente Estadual do partido</strong></p>
<p><strong><img height="315" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plenaria6.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>Camisetas do PSOL &#224; venda no local do Encontro</strong></p>
<p><strong><img height="315" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plen&aacute;ria7.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>Marzeni, diriente sindical da Sabesp</strong></p>
<p><strong><img height="289" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plenaria8.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>In&#234;s Paz, do diret&#243;rio nacional do PSOL</strong></p>
<p><strong><img height="287" src="http://www.ivanvalente.com.br/upload/album/plenaria9.jpg" width="420" /> </strong>    <br /><strong>Milit&#226;ncia do PSOL presente</strong></p>
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		<title>Institui&#231;&#245;es privadas de ensino querem mais uma vez assaltar os cofres p&#250;blicos</title>
		<link>http://blog.ivanvalente.com.br/2009/03/12/instituies-privadas-de-ensino-querem-mais-uma-vez-assaltar-os-cofres-pblicos/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 17:56:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category>Sem Categoria</category>

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		<description><![CDATA[(Pronunciamento do deputado Ivan Valente - Plen&#225;rio da C&#226;mara dos Deputados - 12/03/09)
Senhor Presidente, Sras. e Srs. deputados,
Nos &#250;ltimos doze anos o ensino superior sofreu uma forte expans&#227;o no n&#250;mero de institui&#231;&#245;es privadas, resultado de uma pol&#237;tica desenvolvida primeiramente por Fernando Henrique Cardoso e continuada pelo presidente Lula, cujo centro foi uma enorme flexibiliza&#231;&#227;o nos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Pronunciamento do deputado Ivan Valente - Plen&#225;rio da C&#226;mara dos Deputados - 12/03/09)</p>
<p>Senhor Presidente, Sras. e Srs. deputados,</p>
<p>Nos &#250;ltimos doze anos o ensino superior sofreu uma forte expans&#227;o no n&#250;mero de institui&#231;&#245;es privadas, resultado de uma pol&#237;tica desenvolvida primeiramente por Fernando Henrique Cardoso e continuada pelo presidente Lula, cujo centro foi uma enorme flexibiliza&#231;&#227;o nos crit&#233;rios para as concess&#245;es e um relaxamento na fiscaliza&#231;&#227;o das institui&#231;&#245;es e cursos. </p>
<p>Essa pol&#237;tica de expans&#227;o baseada no setor privado contrasta com a estagna&#231;&#227;o no n&#250;mero de institui&#231;&#245;es p&#250;blicas, deixando o ensino superior a cargo apenas dos interesses privados &#8211; que descobriram neste n&#237;vel de ensino um promissor e lucrativo mercado, sem qualquer preocupa&#231;&#227;o com sua import&#226;ncia social.</p>
<p>Sob argumentos que apontavam a incapacidade do poder p&#250;blico de responder pelo ensino superior, pois este seria muito caro e os recursos p&#250;blicos deveriam garantir o atendimento na educa&#231;&#227;o b&#225;sica, iniciou-se o processo acelerado de expans&#227;o das institui&#231;&#245;es privadas, sem qualquer controle dos &#243;rg&#227;os respons&#225;veis pela educa&#231;&#227;o nacional. Optou-se por uma pol&#237;tica na qual se autorizava a abertura dos cursos e s&#243; bem depois se realizava algum tipo de avalia&#231;&#227;o, atrav&#233;s dos prov&#245;es &#8211; instrumentos pontuais e sujeitos a todo tipo de fraude. </p>
<p>N&#227;o demorou muito para se consolidar o cen&#225;rio que temos hoje: um n&#250;mero enorme de institui&#231;&#245;es privadas e cursos de qualidade muito question&#225;vel, distribu&#237;dos pelo pa&#237;s sem qualquer planejamento mais global, atendendo apenas aos interesses e &#224;s oportunidades do mercado, ocupando todo tipo de espa&#231;o f&#237;sico, sem estruturas m&#237;nimas, com alta rotatividade dos profissionais mais preparados, flexibilizando das formas mais absurdas as grades curriculares para atrair novos consumidores. Em s&#237;ntese: m&#225;quinas de vender diplomas.</p>
<p>N&#227;o demorou muito tamb&#233;m para que toda essa precariedade e falta de planejamento levassem um grande n&#250;mero dessas institui&#231;&#245;es a terem uma enorme ociosidade de vagas. E ent&#227;o o poder p&#250;blico, aquele mesmo que n&#227;o dispunha de condi&#231;&#245;es para atender ao ensino superior, &#233; chamado a formar uma grande parceria com estas institui&#231;&#245;es para dar acesso a pessoas das camadas mais populares a um curso de n&#237;vel superior.</p>
<p>O financiamento p&#250;blico, atrav&#233;s do FIES e principalmente do PROUNI, vem para socorrer as institui&#231;&#245;es privadas e suas milhares de vagas ociosas. Sem mencionar que tamb&#233;m foi com recursos p&#250;blicos que se financiou os investimentos das institui&#231;&#245;es privadas para sua amplia&#231;&#227;o.</p>
<p>Agora, diante do cen&#225;rio de crise econ&#244;mica, novamente vemos a movimenta&#231;&#227;o das institui&#231;&#245;es privadas em dire&#231;&#227;o aos cofres p&#250;blicos. A m&#237;dia noticiou que entidades representantes deste setor reivindicam uma linha especial de financiamento, junto ao BNDES, para ser utilizado como capital de giro.</p>
<p>Tal pedido tem como origem a estimativa de que 41,5% da institui&#231;&#245;es privadas ter&#227;o um n&#250;mero menor de alunos durante este ano, no estado de S&#227;o Paulo, e vem acompanhado da observa&#231;&#227;o, quase amea&#231;a, de que este &#8220;socorro&#8221; evitaria, por exemplo, a demiss&#227;o de professores. Como se um grande n&#250;mero destas empresas j&#225; n&#227;o mantivessem uma pol&#237;tica de constantes demiss&#245;es e contrata&#231;&#245;es de novos profissionais por sal&#225;rios mais baixos, como uma forma de aumentar seus lucros.</p>
<p>Outro argumento que apareceu para justificar o pedido foi o de que o setor privado &#8220;assumiu&#8221; o ensino superior em raz&#227;o de aus&#234;ncia de vagas nas institui&#231;&#245;es p&#250;blicas. Ora, essa condi&#231;&#227;o, como j&#225; disse anteriormente, foi gerada por uma pol&#237;tica voltada exclusivamente a atender o interesse das empresas que exploram esse mercado &#8211; nunca foi em favor dos estudantes. Agora, de repente, aqueles que se enriqueceram explorando o que deveria ser um direito da popula&#231;&#227;o se colocam como abnegados que prestaram socorro a todos mas que exigem suas recompensas!</p>
<p>&#201; fundamental reafirmarmos a educa&#231;&#227;o p&#250;blica e de qualidade como um direito de todos e que, como tal, t&#234;m que ser garantida pelo poder p&#250;blico e nunca pode estar a servi&#231;o de interesses privados. N&#227;o podemos permitir que este direito continue sendo tratado como mercadoria. Os recursos p&#250;blicos devem ser aplicados na educa&#231;&#227;o p&#250;blica, na manuten&#231;&#227;o e amplia&#231;&#227;o das institui&#231;&#245;es p&#250;blicas. O dinheiro p&#250;blico n&#227;o pode ser destinado para sustentar os lucros de empres&#225;rios e corpora&#231;&#245;es.</p>
<p>O BNDES &#233; uma empresa p&#250;blica federal vinculada ao Minist&#233;rio do Desenvolvimento, Ind&#250;stria e Com&#233;rcio Exterior e tem como objetivo apoiar empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do pa&#237;s, financiando obras de infra-estrutura e projetos que tragam benef&#237;cios sociais. N&#227;o &#233; papel do BNDES socorrer empresas, muito menos garantir capital de giro para o funcionamento de institui&#231;&#245;es privadas ou proteger os lucros daqueles que exploram qualquer tipo de mercado. E o apoio que este &#243;rg&#227;o d&#225; para investimentos do setor privado demanda uma fiscaliza&#231;&#227;o e acompanhamento que garantam que estes recursos est&#227;o sendo utilizados pelas empresas de forma que tragam benef&#237;cios para o conjunto da sociedade. </p>
<p>Dessa forma, &#233; inaceit&#225;vel que o governo federal destine recursos p&#250;blicos para socorrer institui&#231;&#245;es que transformaram o ensino superior num imenso balc&#227;o de neg&#243;cios, e que, ao primeiro sinal da crise, tentam apenas defender seus lucros. </p>
<p>&#201; preciso coragem para romper com esse modelo neoliberal, que tentou transformar tudo em mercadoria. Os direitos sociais, como &#233; o caso da educa&#231;&#227;o, n&#227;o podem ser explorados na perspectiva de gerar lucros. Devem ser garantidos a toda a popula&#231;&#227;o e dessa forma s&#243; podem ser mantidos e geridos de forma adequada pelo poder p&#250;blico. A educa&#231;&#227;o n&#227;o &#233; um produto a ser comercializado, sujeito as regras do mercado e ao poder econ&#244;mico. Ela demanda investimento p&#250;blico nas institui&#231;&#245;es p&#250;blicas. &#201; urgente que se fa&#231;a investimento na amplia&#231;&#227;o do ensino superior p&#250;blico &#8211; estabelecendo uma pol&#237;tica capaz de reverter o quadro atual.</p>
<p>Muito obrigado.</p>
<p>Ivan Valente</p>
<p>Deputado federal &#8211; PSOL/SP</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Jornalista da &#34;sapatada&#34; no Bush foi condenado a tr&#234;s anos de pris&#227;o</title>
		<link>http://blog.ivanvalente.com.br/2009/03/12/jornalista-da-sapatada-no-bush-foi-condenado-a-trs-anos-de-priso/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 17:05:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category>Sem Categoria</category>

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		<description><![CDATA[arabesq.com.br
O jornalista iraquiano Montazer Al-Zaidi, que lan&#231;ou seus sapatos contra o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, foi condenado, nessa quinta-feira, a 3 anos de pris&#227;o, durante a segunda audi&#234;ncia em um tribunal iraquiano.
O principal advogado de defesa, Dia Al-Saadi, considerou a senten&#231;a muito dura e ilegal, e declarou que a equipe de defesa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>arabesq.com.br</em></strong></p>
<p>O jornalista iraquiano Montazer Al-Zaidi, que lan&#231;ou seus sapatos contra o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush, foi condenado, nessa quinta-feira, a 3 anos de pris&#227;o, durante a segunda audi&#234;ncia em um tribunal iraquiano.</p>
<p>O principal advogado de defesa, Dia Al-Saadi, considerou a senten&#231;a muito dura e ilegal, e declarou que a equipe de defesa ir&#225; apelar.</p>
<p>Ao ouvir o veredicto, Rukaia, a irm&#227; do Zeidi, come&#231;ou a chorar e a gritar slogans contra o primeiro-ministro iraquiano,Nuri al-Maliki, dizendo: &quot;Abaixa o Maliki&#8221;, acusando-o de ser agentes dos americanos e de promover um julgamento com motiva&#231;&#227;o pol&#237;tica.</p>
<p>Diante do presidente do Tribunal Central Penal do Iraque, na primeira sess&#227;o do julgamento, Montazer Al-Zaidi afirmou que &quot;n&#227;o queria matar o chefe das tropas da ocupa&#231;&#227;o&quot;, que chamou de &quot;principal assassino&quot; do povo do Iraque.</p>
<p>&quot;vi o mundo negro quando observei o sorriso frio de Bush, enquanto falava com (o primeiro-ministro iraquiano, Nouri) Al-Maliki e lhe dizia que ia jantar com ele ap&#243;s a entrevista coletiva&#8230; Senti que o sangue dos inocentes corria debaixo dos meus p&#233;s quando vi o sorriso de Bush, que veio para se despedir do Iraque na &#250;ltima ceia, ap&#243;s deixar mais de um milh&#227;o de m&#225;rtires, al&#233;m da destrui&#231;&#227;o econ&#244;mica e social do pa&#237;s&quot;, acrescentou Zaidi, rep&#243;rter da emissora &quot;Al-Bagdadia&quot;.</p>
<p>O jornalista, que se tornou um her&#243;i &#225;rabe e s&#237;mbolo de indigna&#231;&#227;o contra a ocupa&#231;&#227;o americana, foi detido ap&#243;s o incidente e acusado de &quot;ataques a um chefe de Estado durante uma visita oficial&quot;.</p>
<p><em>Com ag&#234;ncias internacionais.</em></p>
<p><em>Publicado em arabesq.com.br</em></p>
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		<title>N&#250;meros da D&#237;vida em 2008</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 15:37:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category>Sem Categoria</category>

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		<description><![CDATA[Vejam quanto o pa&#237;s pagou de juros em 2008, quanto as d&#237;vidas interna e externa cresceram, e quanto foi destinado &#224;s &#225;reas sociais.


De janeiro at&#233; dezembro de 2008, os governos federal, estaduais e municipais geraram um super&#225;vit prim&#225;rio - isto &#233;, a economia de recursos para o pagamento das d&#237;vidas externa e interna, obtida por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h3><b>Vejam quanto o pa&#237;s pagou de juros em 2008, quanto as d&#237;vidas interna e externa cresceram, e quanto foi destinado &#224;s &#225;reas sociais.</b>
</p>
</h3>
<p>De janeiro at&#233; dezembro de 2008, os governos federal, estaduais e municipais geraram um super&#225;vit prim&#225;rio - isto &#233;, a economia de recursos para o pagamento das d&#237;vidas externa e interna, obtida por meio de aumento de arrecada&#231;&#227;o de tributos e corte de gastos p&#250;blicos - equivalente a R$ 118 bilh&#245;es ou 4,07% do PIB (Produto Interno Bruto, que representa toda a riqueza produzida no Pa&#237;s em 2008). Por&#233;m, este super&#225;vit n&#227;o foi suficiente para pagar nem os juros da d&#237;vida p&#250;blica vencidos no per&#237;odo, que atingiram R$ 162 bilh&#245;es, enquanto as amortiza&#231;&#245;es representaram R$ 172 bilh&#245;es (ver nota 1). Para complementar esses pagamentos, todos os investimentos e gastos p&#250;blicos de todas as esferas da federa&#231;&#227;o foram sacrificadas. </p>
<p>Analisando-se a execu&#231;&#227;o do Or&#231;amento Federal em 2008, podemos ver a distribui&#231;&#227;o de recursos (que somaram, no total, R$ 924 bilh&#245;es) apresentada no gr&#225;fico abaixo. As despesas com o servi&#231;o da d&#237;vida (juros mais amortiza&#231;&#245;es, exclusive o refinanciamento) consumiram 30,57% dos recursos do per&#237;odo, ou seja, o equivalente a R$ 282 bilh&#245;es, e foram muitas vezes superiores aos gastos com &#225;reas sociais fundamentais, como sa&#250;de (4,81%), educa&#231;&#227;o (2,57%) e assist&#234;ncia social (3,08%). Al&#233;m disso, &#233; quase nulo o valor destinado a setores importantes como Organiza&#231;&#227;o Agr&#225;ria (com apenas 0,27% dos gastos), Transporte (0,51%), Ci&#234;ncia e Tecnologia (0,43%), Habita&#231;&#227;o (0,02%) e Saneamento (0,05%).</p>
<p><a href="http://www.divida-auditoriacidada.org.br/config/Boletim19.jpg/image_view_fullscreen"><img title="" height="404" alt="" src="http://www.divida-auditoriacidada.org.br/config/Boletim19.jpg" width="570" longdesc="" /></a></p>
<h6>Fonte: SIAFI - Or&#231;amento Geral da Uni&#227;o &#8211; Sistema Access da C&#226;mara dos Deputados. N&#227;o inclui o &quot;refinanciamento&quot; da d&#237;vida, ou seja, o pagamento de amortiza&#231;&#245;es realizado por meio da emiss&#227;o de novos t&#237;tulos.</h6>
<h6>Nota: Os gastos com servidores ativos se distribuem pelas &#225;reas sociais nas quais eles atuam. Os servidores inativos e pensionistas est&#227;o alocados na &quot;Previd&#234;ncia Social&quot;.</h6>
<p>O valor correspondente ao refinanciamento da d&#237;vida, ou seja, o pagamento de t&#237;tulos que est&#227;o vencendo mediante a emiss&#227;o de novos t&#237;tulos (a chamada &quot;rolagem da d&#237;vida&quot;), n&#227;o est&#225; representado no gr&#225;fico. Caso consider&#225;ssemos tal refinanciamento, as despesas com a d&#237;vida chegariam a 47% do total! As despesas com o mencionado refinanciamento devem ser consideradas, uma vez que tamb&#233;m representam gastos do governo com a d&#237;vida e seu significativo montante demonstra como o governo est&#225; dependente do &quot;mercado financeiro&quot;, que mensalmente exige condi&#231;&#245;es onerosas para rolar dezenas de bilh&#245;es de reais em t&#237;tulos. Este tem sido o principal trunfo do &quot;mercado financeiro&quot; para ditar a pol&#237;tica econ&#244;mica, uma vez que, a qualquer sinal de mudan&#231;a na gest&#227;o da d&#237;vida p&#250;blica, amea&#231;am com a eleva&#231;&#227;o do &quot;risco-pa&#237;s&quot; ou com fuga de capitais, tornando mais dif&#237;cil a &quot;rolagem&quot; da d&#237;vida, como o ocorrido desde o in&#237;cio da atual crise financeira internacional (ver mat&#233;ria &quot;<strong>Crise Financeira: explode a d&#237;vida interna de curto prazo&quot;,</strong> deste Boletim) Por esta raz&#227;o, o debate sobre o tema da d&#237;vida p&#250;blica tem sido retirado de pauta pelo governo e pela grande m&#237;dia que defende interesses financeiros, e &#233; apresentada falsamente como &quot;uma quest&#227;o resolvida&quot;.</p>
<p><b></b>
<p>Contas externas</p>
</p>
<p>Com rela&#231;&#227;o &#224;s contas externas, em 2008 o saldo na balan&#231;a comercial (US$ 24,7 bilh&#245;es) n&#227;o foi suficiente para cobrir sequer as remessas de lucros das multinacionais, que explodiram ano passado, atingindo US$ 33,8 bilh&#245;es. Os juros da d&#237;vida externa atingiram US$ 7 bilh&#245;es, e os servi&#231;os contratados do exterior (aluguel de equipamentos importados, viagens internacionais, uso de navios estrangeiros, etc) somaram US$ 16 bilh&#245;es. Como resultado, houve um grande d&#233;ficit em transa&#231;&#245;es correntes (de US$ 28 bilh&#245;es), cobertos pela entrada de US$ 30 bilh&#245;es de &quot;investimento direto estrangeiro&quot; que, por&#233;m, gerar&#227;o mais remessas de lucros no futuro.</p>
<p>A d&#237;vida externa cresceu US$ 26,5 bilh&#245;es em 2008, atingindo US$ 267 bilh&#245;es (ver nota 2). Tal crescimento se deveu principalmente aos chamados &quot;empr&#233;stimos intercompanhias&quot;, ou seja, empr&#233;stimos feitos pelas multinacionais &#224;s suas filiais no Brasil. Um detalhe importante &#233; que o governo exclui este tipo de empr&#233;stimo da contabilidade d&#237;vida externa, raz&#227;o pela qual a grande imprensa n&#227;o noticiou este grande crescimento do d&#233;bito externo brasileiro ano passado. </p>
<p>Com a crise financeira, iniciou-se uma grande fuga de capitais, pois os investidores estrangeiros preferem aplica&#231;&#245;es consideradas como &quot;mais seguras&quot;, como t&#237;tulos do Tesouro dos EUA, e tamb&#233;m precisam retirar seus recursos daqui para cobrir seus preju&#237;zos em seus pa&#237;ses de origem. Com a crise, a oferta de financiamentos externos tamb&#233;m se reduz, impedindo que as empresas privadas rolem suas d&#237;vidas externas. </p>
<p>Nesta situa&#231;&#227;o, o pr&#243;prio Banco Central come&#231;ou a ofertar reservas cambiais brasileiras em opera&#231;&#245;es de empr&#233;stimo a exportadores e empresas privadas endividadas no exterior, al&#233;m de intervir no mercado de c&#226;mbio, ofertando d&#243;lares para tentar baixar a cota&#231;&#227;o da moeda americana, sancionando a fuga de capitais. Como resultado, de setembro/2008 a janeiro/2009, as reservas cambiais ca&#237;ram US$ 17 bilh&#245;es (de US$ 205 bilh&#245;es para US$ 188 bilh&#245;es - ver nota 3). Recentemente, o Banco Central anunciou uma nova linha de cr&#233;dito de at&#233; US$ 36 bilh&#245;es para as empresas privadas que n&#227;o est&#227;o conseguindo rolar suas d&#237;vidas, o que beneficiar&#225; cerca de 4 mil empresas brasileiras ou at&#233; mesmo multinacionais, que pagar&#227;o juros de 1,5% mais a taxa Libor, o que significa uma taxa de juros de cerca de 5% ao ano. Importante ressaltar que essa taxa &#233; bem menor que a taxa paga pelo governo para adquirir os d&#243;lares das reservas cambiais, ou seja, a taxa Selic (atualmente em 12,75%), pois as reservas s&#227;o acumuladas &#224;s custas da emiss&#227;o de t&#237;tulos da d&#237;vida interna. </p>
<p>Esta &#233; mais uma prova de que a d&#237;vida externa &quot;privada&quot; &#233; um fardo para o povo brasileiro, e que as alternativas &#224; crise financeira devem incluir o controle sobre os fluxos de capital e a auditoria da d&#237;vida. </p>
<p><b></b>
<p>O resultado do Banco Central em 2008</p>
</p>
<p>Nos &#250;ltimos anos, a pol&#237;tica de acumula&#231;&#227;o de reservas cambiais causou imenso preju&#237;zo ao Banco Central (BC) que, ao deter tamanha quantidade de d&#243;lares, acabou por manter em seu patrim&#244;nio uma moeda que estava se desvalorizando frente ao Real. Por outro lado, ganhou quem estava na outra ponta da opera&#231;&#227;o, vendendo os d&#243;lares ao BC: os grandes investidores, bancos e exportadores que, ao venderem seus d&#243;lares, estavam, na realidade, se livrando de um &quot;mico&quot;, ou seja, transferindo para o BC o preju&#237;zo que teriam caso mantivessem moeda estrangeira que estava se desvalorizando em seu poder. E quem pagou esta farra? Voc&#234;! Tais preju&#237;zos do BC s&#227;o cobertos pelo Tesouro, ou seja, por toda a sociedade brasileira. </p>
<p>Com a crise financeira, o d&#243;lar voltou a se valorizar frente ao real, o que poderia reverter esta situa&#231;&#227;o, causando preju&#237;zo aos investidores, que haviam aplicado seus recursos no Brasil (em t&#237;tulos da d&#237;vida interna, ou a&#231;&#245;es na bolsa de valores). Por&#233;m, para impedir o preju&#237;zo destes investidores, o Banco Central come&#231;ou a executar as chamadas &quot;Opera&#231;&#245;es de swap cambial&quot;, que, apesar do nome complicado significa, em bom portugu&#234;s, o ressarcimento, com dinheiro p&#250;blico, dos preju&#237;zos dos investidores com a subida do d&#243;lar.</p>
<p>Devido &#224; subida do d&#243;lar, o Banco Central apresentou um expressivo resultado positivo em 2008, de R$ 126 bilh&#245;es(ver nota 4), que deveriam ser repassados ao Tesouro, para compensar os enormes preju&#237;zos dos anos anteriores. Por&#233;m, de todo este dinheiro, nenhum centavo ir&#225; para as &#225;reas sociais: todo ele tem de ser destinado exclusivamente ao pagamento da d&#237;vida! </p>
<p>A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF, ou Lei Complementar n&#186; 101/2000), que estabelece limites para todos os gastos sociais, com pessoal, etc, n&#227;o estabelece qualquer limite para o preju&#237;zo operacional do Banco Central, mesmo quando ele absorve d&#243;lares em queda de forma ilimitada; oferece ao mercado t&#237;tulos da d&#237;vida interna a 12,75% e compra t&#237;tulos da d&#237;vida norte-americana que n&#227;o pagam quase nada, n&#227;o importa! N&#227;o h&#225; limite para esse preju&#237;zo e a LRF ainda ordena (em seu Art. 7&#186;, &#167;1&#186;) que esse preju&#237;zo seja integralmente coberto pelo Tesouro Nacional: se n&#227;o houver recurso dispon&#237;vel, que se emitam novos t&#237;tulos. Por outro lado, o Art. 2&#186; &#167;1&#186; da Medida Provis&#243;ria 2.179-36/2001 (perpetuado pelo Art. 3&#186; da Lei 11.803 / 2008) determina que, quando o BC apura lucro operacional, este resultado positivo deve ser destinado exclusivamente ao pagamento de juros e amortiza&#231;&#245;es da d&#237;vida p&#250;blica. &#201; impressionante o privil&#233;gio dos rentistas!</p>
<p>Em resumo: quando o BC apura preju&#237;zo operacional, o Tesouro Nacional paga a conta, sacrificando toda a sociedade. E quando o BC apura resultado positivo, o dinheiro vai para pagar a d&#237;vida. <strong>Em suma: para os especuladores, tudo! Para o social, o sacrif&#237;cio de pagar a conta!</strong></p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p>Nota 1 - Os valores do super&#225;vit prim&#225;rio (R$ 118 bilh&#245;es) e de juros pagos (R$ 162 bilh&#245;es) se referem &#224; soma das esferas federal, estadual e municipal, e foram retirados da Nota Para a Imprensa de Pol&#237;tica Fiscal, do Banco Central, dispon&#237;vel na p&#225;gina <a href="http://www.bcb.gov.br/ftp/notaecon/ni200901pfp.zip"><u>http://www.bcb.gov.br/ftp/notaecon/ni200901pfp.zip</u></a> , planilha em excel, quadro 2. O valor de R$ 172 bilh&#245;es de amortiza&#231;&#245;es foi retirado do SIAFI, e somente iclui a esfera federal.</p>
<p>Nota 2 - Ver <a href="http://www.bcb.gov.br/ftp/NotaEcon/NI200902sep.zip"><u>http://www.bcb.gov.br/ftp/NotaEcon/NI200902sep.zip</u></a> , planilha em excel, quadro 49.</p>
<p>Nota 3 - Ver <a href="http://www.bcb.gov.br/ftp/NotaEcon/NI200902sep.zip"><u>http://www.bcb.gov.br/ftp/NotaEcon/NI200902sep.zip</u></a> , planilha em excel, quadro 45.</p>
<p>Nota 4 - Importante ressaltar que, a partir da edi&#231;&#227;o da Medida Provis&#243;ria 435, em junho de 2008, este resultado (decorrente das varia&#231;&#245;es do c&#226;mbio) passou a ser divulgado separadamente do resultado principal (constante na p&#225;gina 2). Isto dificultou bastante a identifica&#231;&#227;o do resultado efetivo do BC, que agora n&#227;o aparece claramente explicitado. Tal resultado consta agora na p&#225;gina 47 das Demonstra&#231;&#245;es Financeiras, dispon&#237;vel em <a href="http://www.bc.gov.br/htms/inffina/be200812/dezembro2008.pdf"><u>http://www.bc.gov.br/htms/inffina/be200812/dezembro2008.pdf</u></a> . </p>
<p>Boletim da Auditoria Cidad&#227; da D&#237;vida</p>
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		<title>Agora at&#233; o FMI defende estatiza&#231;&#227;o de bancos</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 14:23:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
		
		<category>Sem Categoria</category>

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		<description><![CDATA[(Pronunciamento do deputado Ivan Valente - Plen&#225;rio da C&#226;mara dos Deputados - 11/03/09)
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tenho em m&#227;os mat&#233;ria publicada no site do Estad&#227;o, um dos jornais mais conservadores do Brasil, que diz: Estatiza&#231;&#227;o &#233; uma boa op&#231;&#227;o para alguns bancos dos Estados Unidos, diz o Fundo Monet&#225;rio Internacional.
Fant&#225;stico! Quem diria que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Pronunciamento do deputado Ivan Valente - Plen&#225;rio da C&#226;mara dos Deputados - 11/03/09)</p>
<p>Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tenho em m&#227;os mat&#233;ria publicada no <i>site </i>do <i>Estad&#227;o</i>, um dos jornais mais conservadores do Brasil, que diz: <i>Estatiza&#231;&#227;o &#233; uma boa op&#231;&#227;o para alguns bancos dos Estados Unidos, diz o Fundo Monet&#225;rio Internacional</i>.</p>
<p>Fant&#225;stico! Quem diria que o FMI proporia estatiza&#231;&#227;o de bancos? Dos 4 maiores bancos dos Estados Unidos, 2 j&#225; est&#227;o com a l&#237;ngua de fora, praticamente insolventes, o City e o Bank of America. O JP Morgan e o outro est&#227;o &#224; beira da interven&#231;&#227;o e da fal&#234;ncia.</p>
<p>&#201; incr&#237;vel! Enquanto a maior seguradora do mundo, a AIG, recebeu aporte financeiro do tesouro americano de 63 bilh&#245;es de d&#243;lares e foi estatizada &#8212; nos Estados Unidos da Am&#233;rica! &#8212; , no Brasil, h&#225; 2 anos, com pompa e circunst&#226;ncia, privatizamos o Instituto de Resseguros do Brasil, em pleno Governo Lula, logicamente, com total apoio dos tucanos. O fato &#233; que o mundo est&#225; de ponta-cabe&#231;a. Os par&#226;metros do neoliberalismo est&#227;o de pernas para o ar.</p>
<p>Hoje os grandes analistas e economistas, que dominam a m&#237;dia brasileira e pululam nas colunas de opini&#227;o, n&#227;o falam nada sobre isso, como se fosse algo passageiro. Salvemos os bancos e depois n&#243;s os entregamos novamente. Salvemos com dinheiro p&#250;blico e depois saneamos e entregamos novamente para o setor privado. Essa hist&#243;ria n&#227;o pode continuar.</p>
<p>&#201; por isso que o Brasil n&#227;o pode achar que vai sair desta crise ileso. O Governo acreditava que ela n&#227;o tinha chegado ao Pa&#237;s. O PIB no quarto trimestre caiu 4%, o que significa que a economia parou. A hora &#233; de criar oportunidades para dar um giro na economia brasileira. S&#243; agora o COPOM despertou: ser&#225; que n&#243;s n&#227;o dever&#237;amos ter derrubado a taxa de juros h&#225; muito mais tempo e pela metade.</p>
<p>Agora se v&#234;em as manchetes dos jornais, e o Ministro do Desenvolvimento, Ind&#250;stria e Com&#233;rcio Exterior, Miguel Jorge, pede: olha, &#233; a hora imediata de baixar os juros para um d&#237;gito, ou seja, na casa dos 9%. Lembrem que &#233; um dos Ministros mais conservadores!</p>
<p>S&#243; agora se percebe que a economia do Pa&#237;s vive um c&#237;rculo vicioso e que medidas ousadas nunca foram tomadas, como a derrubada da taxa de juros, para acabar com a hegemonia do capital financeiro. Deve se fazer uma redu&#231;&#227;o dr&#225;stica, eliminar a remessa de lucros, controlar o fluxo de capitais e distribuir renda. Este &#233; o projeto que pode dar condi&#231;&#245;es a uma retomada econ&#244;mica: distribuir renda e resolver problemas, como o desemprego.</p>
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