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DNA Zona Oeste

Saiu na Folha de hoje as propostas da nossa candidatura para a Zona Oeste. O espaço pequeno não permite repor o diagnóstico, o que faz com que as propostas tenham uma aparente semelhança.

Nestas eleições, o propositivismo tem escondido as diferenças pelo excesso. A overdose de propostas esconde a diferença entre os projetos e a quem se deve enfrentar para implementá-los.

Ivan Valente não apenas aponta o programa necessário para mudar São Paulo. Diz também quem se deve enfrentar para poder governar.

Não basta mudar o gerente para o mesmo projeto. É preciso um outro projeto.

Abaixo o texto enviado na íntegra para o DNA da Zona Oeste:

1. Como reduzir as disparidades de desempenho entre as escolas públicas e privadas na região?
O contraste de desempenho entre escolas públicas e privadas da zona oeste reflete a contradição da própria São Paulo, cada vez mais segregada e dividida entre os que podem pagar por serviços privados (privatizados) e os que enfrentam dificuldades de acesso a serviços públicos de qualidade, que deveriam ser garantidos pelo município. Não existe saída milagrosa. O caminho é investir mais recursos nas escolas públicas, retomando os 30% da arrecadação para gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino. Vamos investir ainda na qualificação dos professores, com salários dignos, plano de carreira e formação continuada; na infra-estrutura das escolas e diminuir o número de alunos por sala de aula.

2. A zona oeste vive um boom imobiliário, mas cerca de 160 mil pessoas vivem em 82 favelas. O que fazer?
O boom imobiliário é fruto de um processo de desregulação urbana e de uma visão privatizante posta em prática por sucessivas administrações municipais. A política habitacional não tem sido pensada como política de atendimento à coletividade; ao contrário, tem sido tratada de acordo com os interesses da especulação imobiliária. Enquanto bairros como Lapa, Barra Funda e Perdizes tiveram um processo de verticalização acelerada (o que tornou o trânsito caótico, encareceu serviços e desorganizou a infra-estrutura), bairros como Rio Pequeno e Raposo Tavares, regiões que o mercado desvaloriza, não contam com uma política habitacional. Queremos inverter essa lógica, combatendo a especulação imobiliária, aplicando mecanismos de regulação urbana previstos no Plano Diretor Estratégico (PDE) e no Estatuto das Cidades, como o IPTU progressivo, e aplicar 5% do orçamento em políticas habitacionais.

3. Itaim Bibi, Vila Leopoldina e Jardim Paulista são regiões de classe alta e campeões de reclamação do trânsito. Pinheiros é a recordista de reclamações de barulho. O que fazer, já que a maior parte dos moradores se locomove de carro?
O processo de verticalização acelerada e desregulação urbana, empurradas pela especulação imobiliária, geram o excesso de carros nessas áreas. O trânsito é fundamentalmente resultado de um problema nos transportes, que se enfrenta de duas maneiras: primeiro, com transporte de massas de qualidade, em especial o transporte sobre trilhos (metrô e trem); segundo, desestimulando o automóvel e a cultura individualista do uso do carro.

4. Se for eleito, que ações específicas e prioritárias pretende adotar na zona oeste?
Numa região de contrastes, é preciso tratar de forma diferenciada cada distrito. Nos bairros mais ricos, onde ocorre “boom imobiliário”, vamos realizar um controle mais rigoroso para a realização de novos empreendimentos, de forma que esses atendem aos quesitos necessários estabelecidos pelo PDE para sua efetivação. Nos bairros menos valorizados, vamos levar infra-estrutura, políticas habitacionais – com reurbanização de favelas, provisão de novas unidades habitacionais e atendimento à população em áreas de risco – e universalizar serviços básicos de saúde, educação e transporte. Todas as candidaturas dizem que vão levar estrutura para os bairros mais pobres. A nossa diferença é que, para que tais políticas sejam realmente efetivas, é necessário enfrentar interesses poderosos, como o das construtoras. Nós teremos coragem de fazer isso, ouvindo a comunidade e governando com o povo.