(Pronunciamento do deputado Ivan Valente - Plenário da Câmara dos Deputados - 11/03/09)

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tenho em mãos matéria publicada no site do Estadão, um dos jornais mais conservadores do Brasil, que diz: Estatização é uma boa opção para alguns bancos dos Estados Unidos, diz o Fundo Monetário Internacional.

Fantástico! Quem diria que o FMI proporia estatização de bancos? Dos 4 maiores bancos dos Estados Unidos, 2 já estão com a língua de fora, praticamente insolventes, o City e o Bank of America. O JP Morgan e o outro estão à beira da intervenção e da falência.

É incrível! Enquanto a maior seguradora do mundo, a AIG, recebeu aporte financeiro do tesouro americano de 63 bilhões de dólares e foi estatizada — nos Estados Unidos da América! — , no Brasil, há 2 anos, com pompa e circunstância, privatizamos o Instituto de Resseguros do Brasil, em pleno Governo Lula, logicamente, com total apoio dos tucanos. O fato é que o mundo está de ponta-cabeça. Os parâmetros do neoliberalismo estão de pernas para o ar.

Hoje os grandes analistas e economistas, que dominam a mídia brasileira e pululam nas colunas de opinião, não falam nada sobre isso, como se fosse algo passageiro. Salvemos os bancos e depois nós os entregamos novamente. Salvemos com dinheiro público e depois saneamos e entregamos novamente para o setor privado. Essa história não pode continuar.

É por isso que o Brasil não pode achar que vai sair desta crise ileso. O Governo acreditava que ela não tinha chegado ao País. O PIB no quarto trimestre caiu 4%, o que significa que a economia parou. A hora é de criar oportunidades para dar um giro na economia brasileira. Só agora o COPOM despertou: será que nós não deveríamos ter derrubado a taxa de juros há muito mais tempo e pela metade.

Agora se vêem as manchetes dos jornais, e o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, pede: olha, é a hora imediata de baixar os juros para um dígito, ou seja, na casa dos 9%. Lembrem que é um dos Ministros mais conservadores!

Só agora se percebe que a economia do País vive um círculo vicioso e que medidas ousadas nunca foram tomadas, como a derrubada da taxa de juros, para acabar com a hegemonia do capital financeiro. Deve se fazer uma redução drástica, eliminar a remessa de lucros, controlar o fluxo de capitais e distribuir renda. Este é o projeto que pode dar condições a uma retomada econômica: distribuir renda e resolver problemas, como o desemprego.

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