Arquivo de Fevereiro de 2009

Demissões na Embraer estão suspensas, decide TRT

Liminar foi concedida nesta sexta-feira

[27/02] O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15a. região, de Campinas, deferiu, na manhã desta sexta-feira, uma liminar pedida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado à CONLUTAS, e pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu que suspende as 4.200 demissões realizadas na Embraer na semana passada.
Clique aqui para baixar a liminar.
A decisão suspende as demissões realizadas por "motivos econômicos" a partir do dia 19 de fevereiro.
No dia 5 de março, às 10h, haverá uma audiência de conciliação entre os Sindicatos e a Embraer.
A ação foi protocolada sob o número 309/2009-000, com um pedido de liminar.
A ação
Na ação, as entidades sindicais argumentam que a Embraer ignorou os sindicatos e não estabeleceu nenhum tipo de negociação antes de oficializar a demissão em massa.
Também foi usado como argumento o fato da Embraer ser uma empresa com alto índice de lucratividade e que não precisaria lançar mão das demissões para enfrentar eventuais crises financeiras.
Além disso, a empresa teria usado de má-fe na conduta empresarial ao fornecer informações contraditórias momentos antes do anúncio das demissões.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CONLUTAS, tentou, durante meses, negociar com a Embraer medidas que garantissem os empregos dos trabalhadores. Desde o ano passado, a entidade sindical estava atenta aos vários rumores de demissões em massa que existiam na empresa.
No dia 18 de fevereiro, quinta-feira, o Sindicato enviou uma carta à direção da Embraer pedindo o agendamento de reunião para tratar da ameaça de demissões. Esta carta foi apenas mais uma dentre as várias enviadas pela entidade sindical nos últimos meses.
No dia em que concretizou as demissões, a Embraer enviou uma carta ao Sindicato, sem ao menos citar que faria um corte de tamanha dimensão.
Ministério Público
O Ministério Público do Trabalho também agendou para o dia 2 de março, segunda-feira, uma audiência de conciliação entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a Embraer. A audiência, marcada para as 10h, é uma resposta à representação impetrada pelo Sindicato para pedir que as demissões da Embraer sejam anuladas.

Mais informações:
Assessoria de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

 

Presidente pede apenas que a fabricante de aviões tente oferecer mais benefícios aos demitidos

Leia matéria do jornal o Estado de S. Paulo que relata a reunião ocorrida ontem em Brasília entre o presidente Lula e a direção da Embraer. A empresa simplesmente anunciou que vai manter as demissões. Já Lula, segundo informações do jornal, teria apenas reforçado a necessidade ampliar os benefícios concedidos aos demitidos. Nenhuma resposta enérgica de quem, na semana passada, teria ficado indignado com a notícia de 4. 200 demissões. Vale ressaltar que Lula sabia previamente das demissões…

Eis a matéria:

Lula pede ‘esforço’ da Embraer para ajudar demitidos

RENATA VERÍSSIMO E LEONENCIO NOSSA - Agencia Estado

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pediu aos diretores da Embraer, na reunião de hoje, no Palácio do Planalto, que revejam a decisão de demitir 4.270 dos 21,3 mil funcionários, informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, em entrevista, após participar do encontro. Lula, segundo o ministro, pediu que os dirigentes tomem medidas para minorar os problemas dos demitidos.
Na quinta-feira passada, Lula estava indignado com as demissões, segundo relato feito pelo presidente da CUT, Arthur Henrique, após encontro com ele. O sindicalista contou que Lula afirmara ser inadmissível uma empresa beneficiada com recursos públicos promover demissões ao primeiro sinal de problemas. O relato de Arthur Henrique não foi desmentido pelo Palácio do Planalto.
Hoje, de acordo com as informações de Miguel Jorge, Lula começou a reunião pedindo aos dirigentes da Embraer que explicassem os motivos dos cortes de pessoal. O presidente da Embraer, Frederico Curado, disse a Lula, segundo o ministro, que a empresa teve cancelamentos e adiamentos de 30% das encomendas de aviões, que 93% das encomendas são do mercado externo e apenas 7% do interno e que a aviação executiva no Brasil reduziu em 60% suas compras.
"Ele (Lula) pediu que a empresa verifique o que é possível fazer para minimizar o problema das pessoas dispensadas", relatou Miguel Jorge. Os diretores da empresa disseram ao presidente, ainda de acordo com o ministro, que avaliarão o que é possível fazer e informaram que os demitidos terão um ano de assistência de saúde pago. Segundo Miguel Jorge, Lula pediu "um esforço adicional", com outras medidas para auxiliar as pessoas dispensadas.
O ministro do Desenvolvimento contou ainda que, na quinta-feira da semana passada), às 11 horas da manhã, informou a Lula que a Embraer faria as demissões. Em resposta a uma pergunta sobre notícia publicada em dezembro antecipando as demissões, Miguel Jorge disse que, na ocasião, telefonou para dirigentes da Embraer e que estes lhe asseguraram que não havia previsão de cortes de pessoal.
De acordo com outro participante do encontro de hoje, o presidente Lula, ao ouvir dos dirigentes da Embraer que a empresa, para fazer contratações de pessoal, depende de uma melhora nas condições do mercado, disse: "Vamos torcer para o mercado melhorar."
A reunião com Lula no Planalto durou mais de duas horas. Participaram, além de Miguel Jorge, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Pela Embraer participaram seu presidente, Frederico Curado, o presidente do Conselho Administrativo, Maurício Botelho, o vice-presidente de Assuntos Corporativos, Horácio Forjaz, e o vice-presidente Financeiro, Luiz Carlos Siqueira.(O Estado de S. Paulo, 26/2/09)

Maior jornada de trabalho do mundo no setor e ajuda pública garantem os lucros da empresa

Da redação do Portal do PSTU

A mesma Embraer que anunciou nesse dia 19 de fevereiro a demissão de 4,2 mil trabalhadores é a mesma que há meses atrás anunciava lucros recordes. Só em 2007, a Embraer registrava lucros de R$ 657 milhões, com uma receita de 7 bilhões de dólares.

No segundo trimestre do ano passado, os lucros da empresa cresceram 121% em relação ao mesmo período de 2007. Em todo o primeiro semestre de 2008, a Embraer teve aumento de 73% nos lucros, um ganho de quase R$ 240 milhões. Nesse período, a receita da empresa superou os R$ 5 bilhões.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, os lucros da empresa desde 2005 teriam superado R$ 2 bilhões.
Mesmo com a crise na aviação internacional, a Embraer divulgava novos investimentos. A empresa teria anunciado investimentos em fábricas fora do país, como em Portugal e nos EUA.

O que sustenta o lucro da Embraer?
A Embraer é líder mundial na produção de jatos comerciais de pequeno porte. Ao contrário do que prega a ideologia neoliberal, não é a gestão privada que garantiu até agora os bons resultados da empresa. O que sustenta os lucros bilionários da empresa privatizada em 1995 é uma super-exploração de seus trabalhadores aliado a generosos subsídios públicos.

A extenuante jornada de trabalho chega a 43,5 horas semanais, a maior do setor aeronáutico no mundo. Além disso, o sindicato revela que a empresa é uma das principais empresas beneficiadas pelo BNDES, tendo recebido cerca de 7 bilhões de dólares através de financiamentos, desde sua privatização.

Lutar contra as demissões
Os rumores das demissões começaram no final de 2008, através de uma notícia divulgada pela imprensa. Os boatos se espalharam por dentro da fábrica e a direção da empresa rebateu categoricamente a notícia. ”A notícia não tem fundamento”, chegou a dizer o presidente da empresa, Frederico Fleury Curado.

Mesmo assim, o sindicato tentou por meses uma reunião com a direção da empresa, sem sucesso. Agora, o sindicato impulsiona uma ampla mobilização contra as demissões, a maior da história da Embraer.

Em momentos como esses, é importante recordar o histórico de mobilizações das gerações anteriores. Em 1982, os metalúrgicos da Embraer protagonizaram as primeiras grandes greves na década. Naquele ano, os trabalhadores da empresa cruzaram os braços e ocuparam a fábrica por reajuste e por maior democracia. Os funcionários reivindicavam a a possibilidade da existência da comissão de fábrica, enfrentando a ditadura militar num exemplo de coragem e combatividade.

Matéria publicada originalmente no Portal do PSTU


Reunião que acontece nesta quinta, dia 26, também contará com a Força Sindical e os Sindicatos dos Metalúrgicos de São José e Botucatu

Representantes das centrais CONLUTAS e Força Sindical e dos Sindicatos dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região e de Botucatu reúnem-se nesta quinta-feira, dia 26, às 14h, com o presidente do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas, desembargador federal do trabalho Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva.

O tema da reunião é a demissão em massa promovida pela Embraer, às vésperas do Carnaval, no último dia 19 de fevereiro. Os sindicalistas vão reforçar o pedido para que as 4.200 demissões sejam anuladas.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, onde está o maior número de funcionários e de demitidos da Embraer, e as demais entidades ingressam nesta quinta-feira com ação judicial no TRT 15ª região de Campinas pedindo a anulação dos cortes.

No entendimento das entidades, a Embraer agiu de má fé e não abriu qualquer negociação para evitar as demissões.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à Conlutas, tentou, durante meses, negociar com a Embraer medidas que garantissem os empregos dos trabalhadores. Desde o ano passado, a entidade sindical estava atenta aos vários rumores de demissões em massa que existiam na empresa.

No dia 18 de fevereiro, quinta-feira, o Sindicato enviou uma carta à direção da Embraer pedindo o agendamento de reunião para tratar da ameaça de demissões. Esta carta foi apenas mais uma dentre as várias enviadas pela entidade sindical nos últimos meses.

No dia em que concretizou as demissões, a Embraer "respondeu" ao Sindicato, sem ao menos citar que faria um corte de tamanha dimensão.

“Já há entendimento na Justiça que as empresas não podem fazer demissões em massa sem prévia negociação com os sindicatos. A Embraer não cumpriu isso. Pior. Agiu com má-fé ao negar as demissões até o último minuto e com extrema prepotência e falta de respeito com os trabalhadores”, afirma o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos e membro da coordenação nacional da Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José e a Conlutas aguardam a confirmação de uma audiência com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente do Sindicato, Adilson dos Santos, e o secretário-geral, Luiz Carlos Prates, foram a Brasília no último dia 20, mas não foram recebidos. Representantes do governo ficaram de marcar um encontro nos próximos dias.

"Diante da postura arrogante da Embraer, precisamos nos mobilizar. Vamos tomar todas as medidas judiciais cabíveis e também vamos cobrar do Governo Federal que exerça seu poder para que as demissões sejam revertidas", disse Mancha.

A Conlutas defende medidas como a redução da jornada, sem redução de salários e sem Banco de Horas como forma de garantir os empregos. A reestatização da Embraer é outra alternativa, já que a empresa é dependente da ajuda do BNDES e nos últimos anos já recebeu mais de 8 bilhões de dólares em forma de financiamentos.

REUNIÃO E ATO DAS CENTRAIS SINDICAIS

Centrais sindicais de todo país devem se reunir nesta sexta-feira, dia 27, às 11h, para definição de medidas conjuntas contra as demissões anunciadas pela Embraer.

Ainda na parte da manhã, às 9h30, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José realiza reunião com os demitidos da Embraer.

Às 15h, as centrais realizarão uma grande manifestação em frente à Embraer.

Devem participar a Conlutas, Força Sindical, CTB, UGT, Nova Central e Intersindical.

A CUT não confirmou presença.

Fonte: Portal da Conlutas

 

 

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Rosa de Luxemburg

– mulher, socialista, feminista -

Com a prof. Isabel Loureiro (UNICAMP)

Dia 06 de março de 2009 – 19h00

Sindicato dos Químicos Unificados – Regional Osasco

Praça Joaquim dos Santos Ribeiro, 265

Bairro km 18 - Osasco

Instituto Zequinha Barreto convida companheiros e companheiras a marcar o dia das mulheres deste ano conhecendo melhor as idéias de Rosa Luxemburg, através de um debate com Isabel Loureiro, professora e pesquisadora da UNICAMP.

No dia 15 de janeiro de 2009, completou-se 90 anos do assassinato de Rosa Luxemburg – uma das mais importantes mulheres que a luta dos trabalhadores do mundo conheceu. Segundo Loureiro, para Rosa, mulher, judia, polonesa, socialista, revolucionária e feminista, “é da participação dos de baixo que vem a esperança de mudar o mundo”.

Participe conosco !

qui, 19/02/2009 - 21:10

 

Nesse dia 19 de Fevereiro mais de 200 famílias sem-teto organizadas pelo MTST saíram a luta para não serem despejadas pela Prefeitura de Mauá. São moradores do bairro Paranavaí que desde a ocupação de um terreno público que não cumpria sua função social, que não possui nenhum projeto governamental, e só era utilizado para ações criminosas como estupro, desova de cadáveres e tudo aquilo que uma comunidade não quer, foram em busca de um direito constitucional, o da moradia digna.

A coordenação do MTST, na ocupação realizada em setembro do ano, procurou desde o início dialogar com as autoridades locais, procurando a Prefeitura que mantinha um canal aberto com o movimento, chegando até a discutir o abastecimento de água para a ocupação. Surpreendentemente, com a mudança de gestão na Prefeitura para o governo de Oswaldo Dias esse canal foi fechado. Na única reunião que houve com a Prefeitura dia 26 de Janeiro, já havia uma liminar de reintegração de posse, concedida pelo judiciário local desde o dia 15 do mesmo mês, e a Prefeitura nada informou as representantes do movimento, revelando uma postura autoritária e negligente com a iniciativa de diálogo tranqüilo proposta pelo movimento.

Não restando alternativas as famílias fomos para a luta reivindicar nosso direito e abrir os canais de negociações com o município. Ocupamos o saguão da Prefeitura pacificamente e esperávamos uma negociação para nos retirarmos da mesma forma. Entretanto, numa ação desproporcional e truculenta a Guarda Civil Metropolitana a mando de representantes da Prefeitura, agrediu as famílias com cassetetes e tiros de revolver. Mais de 19 pessoas ficaram feridas, uma gravemente com ferimentos na cabeça e um de nossos companheiros foi baleado. A Polícia Militar deteve 79 companheiros que estão sendo acao_violentaliberados.

A atitude da Prefeitura em acionar a Guarda sem procurar qualquer diálogo, é inconseqüente, truculenta e autoritária. Já é sabido de todos o despreparo da Guarda Municipal para esse tipo de ação, e acionaremos todos os meios legais para afastar os responsáveis. Se alguém acreditou que haveria maior facilidade de diálogo com o Prefeito Oswaldo Dias, a máscara democrática e popular do governo caiu.
Essa atitude desumana e brutal da Prefeitura e da Guarda Civil de Mauá não nos fará parar: exigimos a suspensão do despejo para os moradores da ocupação no Paranavaí. A luta pelos nossos direitos é uma luta justa, e estaremos dispostos a fazê-la até que se cumpra.

Do site do MTST

admin

De rabo preso com quem?

O que pretende a Folha de São Paulo, sua direção, é ameaçar todos os que se oponham à sua visão de mundo e aos seus objetivos

Alípio Freire

A criação pelo jornal Folha de S. Paulo (FSP), da expressão “ditabranda” em seu editorial de 17 de fevereiro, para nomear a ditadura imposta com o golpe de 1964 e, em seguida, a agressão aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato, expressa em nota na seção de cartas da edição de 20 de fevereiro, não podem ser atribuídas apenas aos “maus bofes” de um jovem (?) herdeiro rico, mimado, que se supõe gênio (o que diariamente lhe repete sua corte), que não conhece limites e, portanto, afeito a chiliques.
Embora seja também isso, é muito mais, e só pode ser entendido a partir da história daquele jornal, e no quadro mais amplo do avanço (em nível internacional) das idéias, valores e políticas nazi-fascistas.
Sobre a trajetória do pasquim da Barão de Limeira, vejamos alguns depoimentos:
“Abandono do emprego”
A jornalista Rose Nogueira, presa pelos órgãos de repressão da ditadura no dia 4 de novembro de 1969, quando estava de licença maternidade da FSP, onde trabalhava, conta:
“Vinte e sete anos depois [19997], descubro que fui punida não apenas pela polícia toda-poderosa (…), pela justiça militar (…). Ao buscar, agora, nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no Deops, incomunicável, ‘abandonei’ meu emprego de repórter do jornal. Escrito a mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra ‘i’ da CLT abandono de emprego’. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me ‘esqueceram´por um mês na cela’. (…) Todos sabiam que eu estava lá (…) Isso era – e continua sendo – ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, se estivesse trabalhando, eu estaria em licença maternidade”. (Rose Nogueira, “Em corte seco”, in “Tiradentes um presídio da ditadura”, Coord. Alípio Freire, Izaías Almada e J.A. de Granville-Ponce – Scipione Cultural - 1997).
Palafreneiros da ditadura
O jornalista Mino Carta, em entrevista à AOL, em 2004, quando se completavam 40 anos do golpe, comenta as relações da FSP com a ditadura:
“A Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14 [carro tipo perua, usado para transportar o jornal] para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]. Isso está mais do que provado. É uma das obras-primas da Folha, porque o senhor Caldeira [Carlos Caldeira Filho], que era sócio do senhor Frias [Octavio Frias de Oliveira], tinha relações muito íntimas com os militares. E hoje você vê esses anúncios da Folha - o jornal desse menino idiota chamado Otavinho [Otavio Frias Filho] - esses anúncios contam de um jeito que parece que a Folha, nos anos de chumbo, sofreu muito, mas não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o sr. Frias afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi a "mínima pressão" porque o sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis, na sucessão do general Geisel. A Folha estava envolvida com o pior, apoiava o Frota [general Sílvio Frota, ministro do Exército no governo Geisel]. O Claudio Abramo foi afastado por isso.“
("A mídia implorava pela intervenção militar" Entrevista com Mino Carta. Por Adriana Souza Silva, da Redação AOL, abril de 2004)
O testemunho da pesquisadora
A historiadora e pesquisadora carioca, doutora Beatriz Kushnir, autora do mais completo trabalho sobre o comportamento da grande mídia comercial durante a ditadura, “Cães de Guarda”, é lembrada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em sua “Conversa Afiada” de 20 de fevereiro, a propósito da FSP:
“Como demonstrou Beatriz Kushnir (…) a Folha cedia as vans para o Doi-Codi fazer diligências, levar suspeitos para as sessões de tortura e fingir que se tratava de um carro de reportagem em atividade jornalística”. (“Cães de Guarda” – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial).
Em sua coluna, Amorim reitera ainda a denúncia feita por Mino Carta a respeito do afastamento do jornalista Cláudio Abramo do comando do jornal.
Quanto ao episódio da utilização dos carros da FSP para fins repressivos – como apontam Mino Carta e Paulo Henrique – é fato que consta de diversas publicações e depoimentos. A revista “Teoria & Debate” – da Fundação Perseu Abramo – nos anos 1990, publicou uma carta do ex-preso político e hoje advogado de movimentos populares e causas ligadas aos direitos humanos, Aton Fon Filho, que denuncia exaustivamente essa ligação criminosa.
Um diário oficial da repressão
Mas, não pensem os leitores que a história da empresa Folha da Manhã (propriedade da família Frias), da qual a “Folha de S. Paulo” nos anos da ditadura era apenas um título (ainda que o carro chefe), num conjunto que somava mais de meia dúzia de outros, como os jornais “Última Hora”, “Noticias Populares”, “Folha de Santos”, etc., sem esquecermos, é claro, a menina-dos-olhos da repressão, a “Folha da Tarde”.
A “Folha da Tarde” (FT) é um capítulo à parte. Algo assim, como se a FSP coubesse em “obras escolhidas” e ela, a FT, merecesse “obras completas”. Até 1968 esse jornal cobria de forma razoavelmente decente o movimento estudantil, e outras manifestações de oposição à ditadura. Contava com uma equipe formada, em sua maioria esmagadora, de bons e sérios profissionais – muitos dos quais acabariam posteriormente presos, como o caso da jornalista Rose Nogueira. Na ocasião, o logotipo do jornal era vermelho. Passados alguns meses da decretação do Ato Institucional Número 5, de repente, não apenas o logotipo foi mudado para preto, como sua direção passou a ser composta de pessoas ligadas aos órgãos de repressão, inclusive à famosa Escuderie Le Coc (nome fantasia do Esquadrão da Morte) – o que facilmente qualquer neófito é capaz de perceber, folheando a coleção desse jornal. Também a essa questão se refere, com detalhes, a historiadora Beatriz Kushnir em seu livro “Cães de Guarda”.
Uma ameaça a todos os brasileiros
Dadas essas breves pinceladas sobre a trajetória da Ilustre Folha, cabe chamar a atenção para um importante aspecto que é o verdadeiro significado da nota e da agressão contra os professores Maria Victoria e Comparato: ao atacar tão virulenta e desrespeitosamente essas duas figuras que merecem toda a admiração do nosso povo e de todos os homens e mulheres que lutam por uma sociedade democrática e justa, onde os direitos humanos e todos os direitos dos cidadãos sejam respeitados, o que pretende a Folha de S. Paulo, sua direção, é ameaçar todos os que se oponham à sua visão de mundo e aos seus objetivos.
Aliás, entendemos que caberia ao governador José Serra, seu partido e seus aliados do DEM – de quem a FSP é deslavado cabo eleitoral, transgredindo todas as normas éticas e legislação eleitoral – manifestarem-se publicamente a respeito desse episódio que, sem dúvida alguma, os compromete.

Alípio Freire é jornalista e escritor. Foi presidente da Associação Brasileira de Imprensa – Seção São Paulo (1978-1979), e editor de Política Internacional da Folha de S.Paulo (1977-1979). Preso político (1969-1974), pertence hoje aos conselhos editoriais do jornal Brasil de Fato, da Editora Expressão Popular e da Revista Fórum, além de integrar o Conselho Político da revista Teoria & Debate. Colabora ainda com diversas publicações populares e de esquerda.

Agência Carta Maior

Selecionamos algumas das mensagens dos signatários do manifesto, inicialmente assinado por um grupo de intelectuais encabeçado pelo professor Antonio Cândido e que já se ampliou entre trabalhadores, estudantes,  artistas, jornalistas… Não deixe de assinar também…

O manifesto protesta contra um editorial publicado pelo jornal Folha de S. Paulo que fez tábula rasa das atrocidades da ditadura militar (1964-1985) e classificou o período como "ditabranda".

Clique aqui para ler e assinar o manifesto

 

Veja alguns dos comentários:

 

Além de se beneficiarem com a ditadura, colaborarem com a repressão, que torturou e matou centenas de brasileiros, a Folha de São Paulo quer agora destruir a memória nacional. Canalhas no passados, canalhas no presente! Deram um jornal para o DOI/CODI usar como porta-voz do terrorismo de Estado.

Ivan Seixas

Eu fui preso e torturado em Foz do Iguaçu, Curitiba e Rio de Janeiro. Companheiros foram assassinados na tortura e outros em emboscada armada pela repressão como no caso de seis companheiros que morreram fuzilados no Parque Nacional do Iguaçu em 1974. Enquanto isso acontecia, a FSP emprestava seus carros para a repressão.

Aluízio Palmar

A FSP assinou o seu atestado de óbito político, simplesmente.

Moacy Cirne

À memória dos valorosos companheiros que tombaram em combate; dos intelectuais, estudantes, proletários, artistas, políticos, jornalistas, militantes e simpatizantes torturados e mortos pelo aparelho repressor, assino esta petição em repúdio à declaração do jornal A Folha de São Paulo, que se serviu de expediente tirano para trazer de volta as feridas mau cicatrizadas causadas nos que sofreram nos porões e nos que perderam seus entes queridos.

Antônio Carlos de Medeiros

Assino Nota de Repudio ao Jornal Folha de Sao Paulo e manifesto minha irrestrita solidariedade a todos os comanheiros(as) que foram vitimas da ditadura militar, uma das mais violenta da America, com milhares de presos e tortuados, exilados e desaparecidos politicos, eufemismo de assassinados

Marcelo Santa Cruz

Em apoio e solidariedade aos companheiros Maria VIctoria Benevides e Fábio Konder Comparato

Rosa Iavelberg

Depois de tomar parte ativa na repressão, emprestando carros para a condução de presos aos porões do DOPS e do DOI CODI, só faltava mesmo tapar a repudiável participação com um editorial patético. É o fim do grupelho folha de são paulo e seus jornaLISTAS das redações. Um jornalixo de primeira grandeza.

Marcos Simões

Absurdo. É só lembrar os carros da FSP que serviam ao DOI CODI para fazer emboscadas e campanas. Daí a ditabranda.

Artur Machado Scavone

É inadmissível falsear a história deliberadamente, ainda mais do alto do pedestal do anonimato editorial de um grande veículo de comunicação de massa! Quanto a tentar desqualificar dois intelectuais de história ilibada, é de se perguntar: o que a FSP pensa ser?

Nelio Bizzo

Se eu não tivesse lido a matéria dificilmente acreditaria. É aviltante e nojento o texto.

Jacqueline Teixeira Chaves

 

Um grupo de intelectuais lançou, neste sábado (21), um abaixo-assinado na internet (ipetitions) em repúdio à Folha de S.Paulo. O manifesto protesta contra um editorial publicado quatro dias antes pelo jornal, que fez tábula rasa das atrocidades da ditadura militar (1964-1985) e classificou o período como "ditabranda".

O texto condena "o estelionato semântico manifesto pelo neologismo ‘ditabranda’ e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964". Segundo os signatários do manifesto, "a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais".

Outra motivação do abaixo-assinado foi prestar solidariedade aos professores acadêmicos Maria Victória de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato, cuja legítima indignação ao editorial foi tachada de "cínica" e "mentirosa" pela Folha. "Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro", diz o texto.

Leiam, assinem e divulguem o manifesto.

REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio a arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S.Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história polí­tica brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victória de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S.Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis a atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.

Assinam:

Antonio Candido, professor aposentado da USP
Margarida Genevois. Fundadora da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos
Goffredo da Silva Telles Júnior, professor emérito da USP
Maria Eugenia Raposo da Silva Telles, advogada
Andréia Galvão, professora da Unifesp
Antonio Carlos Mazzeo, professor da Unesp
Augusto Buonicore, doutorando da Unicamp
Caio N. de Toledo, professor da Unicamp
Cláudio Batalha, professor da Unicamp
Eleonora Albano, professora do IEL, Unicamp
Emir Sader, professor da USP
Fernando Ponte de Souza, professor da UFSC
Heloisa Fernandes, socióloga
Ivana Jinkings, editora
Marcos Silva professor titular da USP,
Sérgio Silva, professor da Unicamp
Patricia Vieira Tropia, Universidade Federal de Uberlandia
Paulo Silveira, sociólogo

Para assinar o manifesto, clique aqui.

SAIBA MAIS:

A Ditadura segundo a Folha de S. Paulo

 

[Foto: representação brasileira no Parlamento do Mercosul]

Com 9 votos favoráveis e 4 contrários, a representação brasileira no Parlamento do Mercosul aprovou nesta quarta-feira (18) o parecer do deputado Dr. Rosinha (PT-PR) favorável ao ingresso da Venezuela no Mercosul. O protocolo de adesão ainda será analisado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e votado de forma terminativa pelo Plenário do Senado.

A votação havia sido adiada na reunião anterior por pedido de vista do deputado Cláudio Diaz (PSDB-RS), que apresentou um voto em separado contrário ao ingresso da Venezuela no Mercosul. Ele manifestou sua preocupação com a insegurança gerada pelo comportamento do presidente venezuelano, Hugo Chávez, em relação ao cumprimento de contratos internacionais e a sua postura em relação aos valores democráticos.

- Não podem ser desconsideradas algumas evidências de que o presidente venezuelano deseja usar o Mercosul como uma espécie de palanque político para difundir a revolução bolivariana, o que coloca em segundo plano o pragmatismo comercial. As recorrentes críticas e ameaças de Chávez ao Congresso brasileiro, que segundo ele atende aos interesses norte-americanos, e as afirmações de que deseja um novo Mercosul já sinalizam as dificuldades adicionais para a construção de consenso no bloco a partir da entrada da Venezuela - alertou.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) discordou de Cláudio Diaz e citou as dificuldades enfrentadas pelo Rio Grande do Sul por fazer fronteira com a Argentina devido à tese de que a guerra entre os dois países seria inevitável. Com isso, a região fronteiriça do Rio Grande do Sul foi proibida de ter indústrias e até as ferrovias lá têm uma bitola diferente. O senador defendeu a união do Pacto Andino com o Mercosul e a criação de um novo e único bloco econômico latino-americano.

- O Chávez passa e a Venezuela fica - afirmou.

A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) disse que é "um acinte" aprovar o ingresso no Mercosul de um país que obriga suas escolas, públicas e privadas, a ensinar o "projeto bolivariano". Ela observou que o próprio trâmite do protocolo de adesão não seguiu as regras exigidas, mas, sim, um caminho "esquisito e torto". Marisa alertou para a forma de atuação de Chávez, que sempre aposta no conflito.

- Vamos trazer para dentro do Mercosul alguém que aposta na discórdia? - questionou.

Marisa Serrano ainda relatou diálogo mantido com a repórter de uma TV iraniana que fazia a cobertura dos trabalhos do Parlamento do Mercosul. Ela perguntou à repórter qual era o interesse dos iranianos em relação ao bloco. A repórter respondeu que o presidente Hugo Chávez havia prometido ser o interlocutor do Irã com a sua entrada no Mercosul.

Os senadores Sérgio Zambiasi (PTB-RS) e José Nery (PSOL-PA) defenderam a adesão da Venezuela ao Mercosul. O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) propôs deixar a questão em aberto, pois o Paraguai sequer iniciou o debate a respeito do assunto e a Venezuela ainda não explicou devidamente as ofensas de Chávez ao Congresso brasileiro.

O presidente da Representação Brasileira no Mercosul, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), disse que é um grave equívoco achar que o nacionalismo e o protecionismo podem ser a solução para a crise financeira internacional Entenda o assunto. Ele afirmou que a solução deve ser pró-convivência e pró-diplomacia, aprofundando a integração da América Latina.

- O risco existe, mas a integração de toda a América Latina vale a pena. Não vamos construir uma política de gueto - frisou.

O relator, Dr. Rosinha, disse que o discurso de ruptura de Chávez não encontra fundamento na prática, pois a Venezuela depende economicamente dos seus dois maiores parceiros comerciais: a Colômbia e os Estados Unidos. O deputado também disse que para fiscalizar os direitos humanos é preciso que a Venezuela seja membro do Mercosul. Nesse caso, observou, o país é obrigado a aceitar a inspeção de uma comissão do Parlamento do Mercosul.

Ricardo Icassatti / Agência Senado

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