Arquivo de Outubro de 2008

“Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.”

Daqui algumas horas nosso blog sairá do ar em razão da legislação eleitoral.

Foram quase noventa dias desde o primeiro post até hoje.

Nesse período a campanha São Paulo é Valente travou uma árdua batalha.

Enfrentamos verdadeiras máquinas eleitorais movidas pelo financiamento privado do poder econômico, com marqueteiros a peso de ouro e milhares de cabos eleitorais pagos.

Enfrentamos a avassaladora propaganda de televisão que transformou e empacotou propostas, fabricou candidatos e tornou partidos antes opostos no espectro político em cópias mal-feitas da mesmice.

Enfrentamos a força dos partidos tradicionais da velha direita e da antiga esquerda, hoje mais e mais parecida com a direita.

Enfrentamos uma cobertura de mídia profundamente desigual. E ainda tivemos uma batalha com a toda poderosa Rede Globo que para defender seus inconfessáveis interesses mercadológicos repetiu seus dias de manipuladora de consciências como na época da ditadura militar.

Enfrentamos o ceticismo na política, resultado de uma campanha que primou pela falta de coerência, de alianças cujo único objetivo é a conquista do poder a todo custo, sem projetos e sem diferenças políticas substantivas.

Enfrentamos tudo isso. Mas, a campanha São Paulo é Valente fez uma belíssima travessia.

Travessia que mostrou para São Paulo questões não tratadas pelas outras candidaturas. Não fizemos promessas e procuramos deixar claro quais os interesses a contrariar para mudar esta cidade que é uma das metrópoles mais desiguais do mundo.

Travessia que recolocou na pauta do dia a necessidade da universalização de direitos na saúde, na educação, no transporte, na habitação. Fomos os únicos a apontar a necessidade de enfrentar o problema da dívida pública que seqüestra 13% do orçamento da cidade.

Travessia que demarcou com clareza e coerência política um projeto de esquerda, que não se rende ao jogo fácil da política tradicional e aos seus encantos.

Travessia que mostrou que a democratização dos meios de comunicação é urgente e necessária e que uma emissora toda poderosa não pode continuar ditando consciências e pisoteando a democracia em nome de seus interesses mercadológicos.

Travessia que colocou um debate incômodo a todas as candidaturas, ao fixar desde o início um teto modesto de gastos de campanha e se comprometer a ser financiada com recursos de pessoas físicas. Fomos os únicos que revelaram publicamente quem financia nossa campanha. Todos os demais candidatos silenciaram.

Travessia que tem nome e não tem medo de se chamar socialista.

Travessia…

Guimarães Rosa dizia pela boca de Riobaldo Tatarana que o real não se dispunha nem na saída, nem na chegada, mas no meio da travessia.

A campanha São Paulo é Valente mostrou que é possível fazer uma travessia com projeto político, com dignidade, com militância voluntária e generosa e com muitos ideais.

Assim, no dia 5 de outubro deixe a marca de um voto coerente, de esquerda, de esperança.

Faça a travessia conosco.

Vote Valente. Vote PSOL 50.

Leia matéria publicada na Folha de S. Paulo nesta sexta-feira, 03/10/2008.

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admin

O povo não é bobo

É impressionante o poder da TV Globo em nosso país. Da cabeça de seus diretores, brotou a idéia – que tentou-se transformar em verdade – de que debates eleitorais com mais de cinco candidatos são “pouco proveitosos”. Não bastasse tamanha subjetividade, a TV Globo julgou-se no direito de rasgar nossa Constituição e as obrigações que deve cumprir como concessionária de um serviço público, e saiu atacando a lei eleitoral, como vítima de uma falta de liberdade de imprensa que, sabemos, está muito distante da realidade dos fatos.

Não bastasse a nota mentirosa que faz circular pela imprensa nesta terça-feira, a TV Globo divulgou o mesmo conteúdo em formato de editorial, lido pelo jornalista Carlos Tramontina na 2ª edição do SPTV desta terça. A cena lembrou episódios nem tão antigos da vida da emissora, quando colocou seus “âncoras” para falarem a milhões de brasileiros, travestindo seus interesses privados de defesa da democracia.

É importante reafirmar: foi a Globo que não quis realizar o debate eleitoral, e não os candidatos que se recusaram a assinar um acordo que fere – este sim – a democracia nas eleições. Não quis porque há tempos já escolheu quem são os candidatos que julga merecerem o voto da população paulistana. Pluralidade partidária? Livre debate de idéias? Isso está longe dos princípios da emissora… Está longe da história que a Globo construiu nas últimas décadas, que teve início com o apoio e sustentação à ditadura militar em nosso país. Desnecessário relembrar episódios vergonhosos protagonizados pela emissora em processos eleitorais anteriores, como a velha conhecida edição do debate entre Lula e Collor em 89 e a perseguição permanente à candidatura de Leonel Brizola.

Agora, sem qualquer explicação plausível, o jornalismo da Globo, mais uma vez, presta um desserviço à população brasileira. São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Fortaleza tiveram seus debates cancelados pela direção da emissora porque candidaturas como a de Ivan Valente exigiram o cumprimento de seus direitos. Não quiseram brincar, como brinca a Globo, com a construção da democracia nos processos eleitorais.

Fora da televisão, a campanha São Paulo é Valente segue nas ruas da cidade, dialogando com a população e apresentando suas propostas para melhorar a vida das pessoas. Seguimos, como em toda a campanha, enfrentando interesses poderosos para mostrar ao povo paulistano os responsáveis pelos problemas da cidade. Entre eles, certamente, a falta de democracia nos meios de comunicação.

Clique aqui para assistir ao comunicado da Campanha São Paulo é Valente sobre o cancelamento do debate da Globo.